O Centro Universitário Padre Albino - Unifipa foi homologado como instituição habilitada no Laboratório Inova SUS Digital, iniciativa coordenada pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi) do Ministério da Saúde. A homologação do resultado final foi publicada em 29 de abril, após análise que selecionou soluções tecnológicas voltadas ao fortalecimento do SUS.
A proposta apresentada pela Unifipa é o projeto SpermaVision IA, sistema de suporte à decisão clínica baseado em Inteligência Artificial, Visão Computacional e Deep Learning. A tecnologia foi desenvolvida para auxiliar na seleção não invasiva de espermatozoides em procedimentos de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI) para tratamentos de fertilização assistida.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a ferramenta busca ampliar a precisão nos procedimentos reprodutivos realizados pelo SUS, reduzindo custos e contribuindo para melhores desfechos terapêuticos. O sistema foi concebido para funcionar de forma integrada aos equipamentos já existentes, sem exigir substituição de microscópios ou aquisição de estruturas adicionais.
O projeto foi apresentado pelo coordenador do curso de Biomedicina da Unifipa, Prof. Dr. Daniel Henrique Gonçalves e pelo professor Lucas Azevedo. Daniel é doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mestre pela Universidade de São Paulo (USP) e delegado do Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região (CRBM-1).
De acordo com o Ministério da Saúde, o Laboratório Inova SUS Digital foi estruturado para identificar e validar soluções tecnológicas capazes de ampliar a eficiência e a interoperabilidade dos serviços públicos de saúde. Entre os critérios avaliados estiveram a integração com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), compatibilidade com o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e adequação às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Os desenvolvedores afirmam que o sistema foi projetado para operar dentro desses padrões nacionais de interoperabilidade, garantindo segurança e rastreabilidade das informações clínicas. A iniciativa também utiliza conhecimentos adquiridos em projetos anteriores da instituição, como o “OSCE em Biomedicina”, finalista do Prêmio Inovativos.
PRÓXIMAS ETAPAS
Para os pesquisadores envolvidos, a homologação representa avanço para a inserção do interior paulista em projetos de saúde digital e biotecnologia aplicada. A expectativa é que a aprovação permita novas etapas de prospecção junto aos programas federais “Agora Tem Especialistas” e “SUS Digital”, ampliando possibilidades de financiamento e implementação da tecnologia em larga escala.
Daniel Henrique Gonçalves destacou ainda o papel da tecnologia na medicina contemporânea. Segundo ele, “a medicina do século XXI não permite mais que decisões críticas sejam tomadas apenas com base na subjetividade humana”. O pesquisador acrescentou que a Inteligência Artificial pode atuar como “extensão dos sentidos humanos”, oferecendo maior precisão em análises clínicas complexas.
Com a homologação, Catanduva passa a integrar o cenário nacional de desenvolvimento de soluções em saúde digital voltadas ao SUS, reforçando a atuação acadêmica e científica da Unifipa em pesquisas de inovação aplicada à saúde pública e medicina de precisão.
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