Presidente da Associação dos Aposentados é alvo da CPMI do INSS
Foto: Reprodução/Rennan Matavelli - Warley Martins Gonçalles tem sido citado em requerimentos da CPMI do INSS
Warley Martins Gonçalles também lidera a Cobap, que enfrenta processo de desmonte
Por Guilherme Gandini | 01 de março, 2026

O presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Catanduva e presidente executivo da Cobap - Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos, Warley Martins Gonçalles, é um dos alvos da investigação conduzida pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito - CPMI do INSS, no Congresso Nacional.

A CPMI, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos), investiga as fraudes contra o INSS e tem revelado esquema de descontos indevidos bilionários em aposentadorias e pensões, praticados por meio de associações e sindicatos de beneficiários.

A Cobap, liderada por Gonçalles, é a instância máxima de representação nacional das entidades de aposentados e pensionistas, congregando sindicatos, federações e associações em todo o país, muitas delas já convocadas pela CPMI ou citadas nas investigações da Polícia Federal.

A entidade figura entre as entidades que tiveram seus descontos suspensos pelo INSS em 2023, em decorrência do volume exorbitante de reclamações de cobranças indevidas, o que indica a possível adoção de práticas abusivas com relação aos aposentados.

Por isso, o catanduvense tem aparecido em uma série de requerimentos da comissão para que ele preste depoimento. Foram pelo menos cinco, sendo um aprovado com convocação para novembro de 2025, porém no site do Senado Federal não consta que o depoimento tenha sido feito – tampouco as razões para isso ou que uma nova data tenha sido agendada.

Além disso, a CPMI requereu ao Coaf - Conselho de Controle de Atividades Financeiras o envio do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) referente a Gonçalles, de 1º de janeiro de 2017 a 19 de agosto de 2025. Neste caso a documentação solicitada foi disponibilizada pelo Coaf.

Conforme os requerimentos, o objetivo da CPMI é esclarecer o papel da Cobap na supervisão, filiação e acompanhamento das entidades associadas; prestar contas sobre convênios, acordos ou mecanismos de autorização entre a Cobap, entidades filiadas e INSS; e esclarecer se houve omissão na fiscalização ou se a fraude se valeu de brechas no sistema.

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, o advogado Eli Cohen, ao ser questionado pelo deputado Alfredo Gaspar (União) sobre a participação da Cobap em um "pacote de fraudes", foi categórico ao afirmar que a entidade estaria "cem por cento" implicada.

DESMONTE

Há cerca de 10 dias, Warley Martins Gonçalles encaminhou ofício aos membros do Conselho de Diretoria das Federações (Codir) para tratar sobre o que ele classifica como “fatos de extrema gravidade” que tem causado instabilidade no sistema confederativo – e o desmonte da Cobap.

“Tais fatos geraram uma paralisia no repasse de recursos e uma ofensiva jurídica e administrativa contra as entidades, culminando na necessidade de descontinuidade de 100% do quadro funcional da Cobap e na paralisação total de suas atividades operacionais”, afirmou.

No texto ele menciona a aprovação de requerimentos pela CPMI do INSS para que representante legal da Cobap preste depoimento e também a quebra de sigilo e emissão de relatórios de inteligência financeira pelo Coaf, o que, segundo ele, exigem uma defesa técnica especializada.

“Diante da inviabilidade operacional mencionada, a entidade encontra-se atualmente impossibilitada de garantir o suporte jurídico necessário para o acompanhamento dessas oitivas, o que eleva exponencialmente o risco de prejuízos irreversíveis à imagem e ao patrimônio dos dirigentes e da própria Confederação”, prossegue Gonçalles.

O presidente cita, ainda, que a Cobap enfrenta grave processo junto à Controladoria-Geral da União (CGU), sob risco de sanções severas, e que há o risco concreto de que o próximo passo das execuções seja o redirecionamento contra as federações que se beneficiaram dos recursos.

Por fim, Gonçalles convoca os membros do Codir para reunião no dia 11 de março, a partir das 9h, na subsede da Cobap em São Paulo, com o objetivo de definir solução colegiada e o rateio de obrigações na forma do Estatuto Social, traçando medidas preventivas e judiciais.

OUTRO LADO

O jornal O Regional tentou contato com Warley Martins Gonçalles em vários telefones, mas não obteve retorno. Também solicitou informações à CPMI do INSS sobre o depoimento do presidente da Cobap, que estava previsto para novembro de 2025, mas não teria ocorrido. Não houve resposta até o fechamento desta edição. O espaço ficará aberto aos citados.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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