A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Catanduva, vinculada ao Deinter 5 - São José do Rio Preto, deflagrou nesta segunda-feira operação voltada à repressão de crimes econômicos de alta complexidade, no âmbito de operação policial denominada “Axis”.
Foram cumpridos 52 mandados de busca e apreensão e 21 de prisões temporárias cumpridos nos municípios de Catanduva, Paraíso, Pindorama, São José do Rio Preto e Severínia, além de medidas patrimoniais em face de 31 alvos, com pedido de bloqueio de contas, ativos financeiros e bens móveis e imóveis. Dezoito pessoas foram presas e quatro estão foragidas.
De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha fazia o uso de empresas “laranjas”, em que funcionários eram recrutados para formalizar contratos de financiamentos de veículos de alto valor, sem o devido pagamento. Os golpes também envolviam o nome de pessoas de baixa renda.
Depois do financiamento, o grupo escondia os carros para evitar a apreensão durante processos judiciais e, passados alguns anos, negociava com os bancos a quitação das dívidas por valores muito abaixo da dívida, aproveitando a dificuldade das instituições em recuperar os bens.
Após a retirada das restrições, os veículos zero km eram revendidos pelo valor total de mercado, o que gerava alto lucro ilegal e prejuízos ao sistema financeiro. As investigações apontaram que os integrantes do grupo também usavam intimidação e violência para manter o esquema.
As diligências permitiram identificar a existência de uma estrutura organizada, composta por diferentes núcleos com divisão de funções, responsável por articular e gerenciar as atividades ilícitas, valendo-se de mecanismos para dificultar a recuperação dos automóveis.
No âmbito patrimonial, a investigação já identificou 278 veículos vinculados ao esquema criminoso, avaliados em R$ 22,6 milhões, enquanto a análise financeira abrangeu 139 contas bancárias e 65.683 lançamentos, revelando movimentação de R$ 129,1 milhões.
Segundo a Polícia Civil, foram recuperados nessa primeira etapa da operação cerca de 60 veículos que equivalem a R$ 6 milhões, além de R$ 40 mil em dinheiro, cartões de crédito, telefones celulares e vasta documentação. As investigações e busca pelos demais veículos continuam.
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