A USE Intermunicipal de Catanduva promove no próximo sábado, 13 de dezembro, uma noite especial com o músico, compositor e escritor Plínio Oliveira, que retornará à cidade com sua nova turnê “30 Anos de Paz”. O evento será realizado na Associação Espírita Amor e Caridade, às 19h30, reunindo admiradores de sua arte e toda a comunidade espírita da região.
Plínio Oliveira tem mais de três décadas de carreira e segue como uma das vozes mais presentes no cenário espiritualista. Suas apresentações combinam interpretação marcante, melodias acolhedoras e mensagens que convidam ao autoconhecimento, à gratidão e à paz interior. Ao jornal O Regional, ele falou sobre sua obra, a proposta da turnê e lembranças de Catanduva.
O Regional: Plínio, o que representa para você celebrar ‘30 Anos de Paz’ nesta turnê?
Plínio Oliveira: Vivemos um país que se ressente muito da violência, seja da violência urbana, no trânsito, contra a mulher, contra minorias, violência racista, homofóbica e todo um conjunto de grandes e pequena violências sociais, políticas, culturais e até mesmo religiosas. Ainda que todos esses problemas tenham profundas raízes históricas e grande complexidade causal, uma forma efetiva de minimizá-la é por meio de uma educação para paz, algo a que eu me dedico desde meus 15 anos e está presente na totalidade dos meus álbuns, espetáculos, vídeos e livros, com canções que convidam ao amor, à paz, à bondade, à transcendência, à compaixão. Os 30 anos a que me refiro no título da turnê contam desde o lançamento do meu primeiro álbum, em 1995. Celebrá-los cantando e reafirmando minha fé na ternura humana, é uma alegria imensa, tão imensa quanto a alegria de encontrar ainda muitas pessoas que também acreditam que é preciso cuidar da paz. Minha contribuição é pequena, quase sem efeito cultural, mas é sincera e me sinto um artista honrado e feliz em poder viver dedicado ao que acredito, sem qualquer preocupação com fama ou reconhecimento, embora fosse maravilhoso poder fazer mais e estimular que mais artistas e mais pessoas se engajassem no trabalho pela paz no mundo, que começa dentro de cada um.
O Regional: Sua obra sempre dialogou com espiritualidade, sensibilidade e paz. Como esses elementos nascem dentro de você antes de virarem música?
Sou uma espécie de rádio que, de acordo com o que sinto, sintoniza uma invisível emissora que só eu escuto, aí eu divido com os outros através dos meus álbuns. Apesar de ser muito crítico e cético, também não consigo negar que o mistério do universo é maior que a verdade alcançável – o que contribui para meu temperamento naturalmente espiritual. Ou seja, espiritualidade, sensibilidade e paz são verdades dentro de mim. Claro que não sou o tempo todo tão lúcido e sereno quanto quando estou cantando ou compondo, mas impera em meu coração o desejo de paz e isso se traduz numa vida em que procuro ser bom e pacífico, o que, naturalmente, repercute em tudo que escrevo, canto, digo e procuro fazer.
O Regional: Muita gente diz que suas canções “tocam a alma”. O que você acredita que faz a música chegar tão fundo no coração das pessoas?
Eu fico muito feliz que elas toquem a alma de algumas pessoas – e é para essas pessoas que prioritariamente existo, componho e canto. Eu acredito que tem a ver com o fato delas também sentirem a vida como sinto, com a diferença de a maioria não possuir o dom que desenvolvi ao longo da vida, de compor, tocar, cantar, contar. Então eu falo também por elas. Acho que isso pode explicar essa sensação de tocar a alma. Se isso for como penso, é porque eu toco a música que em verdade silenciosamente ecoa no coração das pessoas que sentem o mesmo que eu, mas não sabem se expressar criativamente através de música.
O Regional: Como a arte pode contribuir para construir um mundo melhor?
Existe, como acredito e a ciência contemporânea confirma, um aspecto energético na música. Ela evoca memórias, estimula sensações, faz síntese de sentimentos, reforça padrões mentais, cria um ecossistema emocional em quem a escuta. É fácil perceber, diante disso, que a música ajuda a estruturar a realidade em que nos movimentamos. Uma sociedade que se deseje pacífica e gentil, precisa refletir isso na cultura que produz. Quem assiste meus shows sabe que é verdade. Acontece algo muito verdadeiro e puro quando cantamos juntos uma canção de paz: lembramos que não é possível existir sozinhos e que os tesouros do planeta só produzem felicidade real quando são compartilhados. Sobretudo, nos damos conta de que as coisas realmente importantes, o dinheiro não pode comprar.
O Regional: Há novos projetos que você possa compartilhar?
Lançarei, nesta turnê, um novo álbum a cada 3 meses. O primeiro já está pronto (e é meu 77º). Chama-se Passageiro e estará disponível para o público dos shows. Por uma série de razões, estou retirando das plataformas de streaming a maior parte de minha obra, que ficará acessível a qualquer um que queira diretamente comigo pelo aplicativo gratuito Plinio Oliveira Amores Raros. Também realizo um show online por mês para os fãs no YouTube e estou acertando com um pequeno canal de TV do litoral do Paraná um programa semanal de 30 minutos, pra cantar coisas bonitas e falar de paz, amor e isso tudo que tenho repetido a vida inteira.
O Regional: Catanduva guarda lembranças muito especiais da sua presença, como o projeto musical com crianças nas janelas da Fatec. Como foi, para você, viver aquele momento?
Foi um dos mais felizes da minha vida! Sinto muita falta de realizar esse projeto. Espero que no futuro haja convites para poder financiá-lo novamente. As crianças necessitam urgentemente de contato com música de qualidade e de aprendizado da cultura de paz.
O Regional: Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores e para todos que acompanharão sua apresentação em Catanduva?
Acho muito importante os artistas, mesmo os sem grande alcance como eu, sempre se manifestarem a favor de um mundo mais doce, acolhedor, solidário, pacífico e amoroso. Eu realmente acredito que o papel de qualquer artista é evocar a grandeza, mesmo quando aponta o mal. É relembrar da nossa pequenez, mesmo quando festeja nosso triunfo. É convidar a humanidade a se ver como uma grande família. É, com sua sensibilidade aguçada, estimular tudo que houver de bom no coração das gentes. Quem acha que o mundo merece mais amor, mais gentileza, mais bondade, mais justiça e muita fé, vem cantar comigo. Quando celebramos juntos a sublimidade da vida, nos fortalecemos para vivê-la com mais plenitude.
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