Padre sugere que Igreja suspenda ordenações após declarações de bispo
Foto: Reprodução - Formação de novos padres ocorre no Seminário Nossa Senhora da Esperança
Sem revelar o nome, religioso encaminhou carta para autoridades cobrando providências
Por Guilherme Gandini | 08 de março, 2026

O padre que denunciou o ex-bispo dom Valdir Mamede encaminhou carta a dom José Benedito Cardoso, atual bispo diocesano de Catanduva, e a dom Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, sugerindo a suspensão de admissões ao Estado Clerical e das ordenações durante este ano, até que as investigações sejam concluídas.

No documento, ele afirma que a omissão de determinados envolvidos e as declarações do investigado no inquérito policial têm contribuído “para um estado de descrença entre o povo de Deus”, fazendo referência ao fato de dom Valdir ter afirmado em seu depoimento que os atos de natureza sexual praticados teriam ocorrido de forma consensual, sem violência ou coação.

“Tal afirmação provocou considerável perplexidade e, para muitos fiéis, resultou em grave desmoralização pública da Igreja local, além de suscitar sérios questionamentos acerca da seriedade e da vigilância no processo formativo dos futuros presbíteros da Diocese de Catanduva/SP”, pontua o religioso, frisando o suposto envolvimento de dois seminaristas.

Na carta, o padre que se diz vítima de dom Valdir Mamede ainda afirma que “causa grave preocupação que celebrações de tão elevado significado eclesial - como as Ordenações Diaconal, Presbiteral ou Episcopal - possam ser envolvidas por dúvidas morais ou disciplinares”. Isso porque os candidatos à ordenação são chamados a professar o compromisso do celibato.

“Caso as declarações atribuídas ao Bispo Emérito de Catanduva/SP, investigado no referido Inquérito Policial, correspondam à verdade, torna-se imperativo que as autoridades eclesiásticas competentes, movidas por zelo apostólico, procedam com rigoroso discernimento, impedindo que eventuais ordenações ocorram sem a devida verificação dos fatos”, ressalta.

O padre ainda pondera que, se nada for feito, esses candidatos, no momento da ordenação, poderão enganar a si mesmos e expor a liturgia sagrada a um grave esvaziamento de sentido, transformando um ato de fé em mera formalidade externa.

Ele ainda lembrou que o Santo Padre Papa Francisco, durante seu pontificado, defendeu a política de “tolerância zero” em relação aos abusos sexuais na Igreja, afirmando que tais casos devem ser revelados, investigados, punidos quando comprovados e jamais acobertados.

“Além disso, a falta de esclarecimentos adequados gera um efeito colateral grave: como os nomes não são publicamente conhecidos, a suspeita recai injustamente sobre outros seminaristas e clérigos que nada têm a ver com os fatos relatados. Tal situação fere a dignidade daqueles que se dedicam honestamente à formação sacerdotal”, complementou.

RELEMBRE

O ex-bispo de Catanduva, dom Valdir Mamede, foi acusado por um padre de assédio e estupro, fato que motivou sua renúncia em 2023. Na semana passada, o Ministério Público arquivou o inquérito policial que tratava do caso por falta de provas. Em sua defesa, o investigado afirmou que não houve violência sexual, afirmando que as relações com o padre foram consensuais.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

Por Guilherme Gandini | 08 de março de 2026
Padre sugere que Igreja suspenda ordenações após declarações de bispo
Por Da Reportagem Local | 08 de março de 2026
Nova parcial de inscrições reafirma sucesso do Festival Dança Catanduva
Por Da Reportagem Local | 08 de março de 2026
Fundação Padre Albino sedia reunião de gestores da Regional da Fehosp