Padre Osvaldo soma salário, gratificações e abono para mostrar que paga piso nacional
Vídeo causou indignação em vários educadores, que se manifestaram em comentários
Foto: REPRODUÇÃO - Padre Osvaldo afirmou que professores trabalham 200 horas, em vez de 225
Por Guilherme Gandini | 05 de maio, 2022
 

O prefeito Padre Osvaldo (PSDB) divulgou vídeo nas redes sociais na tentativa de reafirmar seu compromisso com o funcionalismo e esclarecer aos professores da Rede Municipal de Ensino que a Prefeitura paga acima do piso nacional da categoria. Para chegar aos valores, entretanto, ele somou salários, gratificações e até mesmo o abono temporário, o que gerou críticas. 

No cálculo apresentado pelo chefe do Executivo, os professores Berçaristas e Recreacionistas, recebem R$ 14,44 por hora aula, o que chegaria a R$ 2.888 para 200 horas mensais. A partir daí, foram somados R$ 516 de gratificação e R$ 400 de abono, alcançando R$ 3.804, valor que, segundo Padre Osvaldo, estaria R$ 41,63 distante do piso nacional, que é R$ 3.845,63. 

Na situação do professor P2, são pagos R$ 18,82 por hora aula para as mesmas 200 horas mensais, o que atingiria R$ 3.764, mais a gratificação de R$ 962 de gratificação e R$ 400 do abono, chegando a R$ 5.136. “Portanto, hoje já pagamos R$ 1.290 acima do piso nacional pela jornada completa de 40 horas semanais”, exaltou Padre Osvaldo, na transmissão. 

Ele destacou que, por decisão judicial, o município terá prazo de 6 meses para realizar os ajustes salariais e mencionou a reestruturação de cargos e níveis. “Preocupados com todos os níveis dos colaboradores, estamos realizando a reestruturação para contemplar a classe do magistério e o funcionalismo como um todo. As diferenças, por menores que sejam, serão sanadas.” 

O vídeo causou indignação em vários educadores, que se manifestaram em comentários na própria publicação, afirmando que não há jornada de 200 horas entre os professores da Educação Infantil, mas sim 225 horas, e que não é correto somar gratificações e abono para debater o piso da categoria, que corresponde unicamente ao salário base. 

“O piso nacional que é nosso direito está hoje no valor de R$ 3.845,63 no qual foi mencionado, porém não entra o valor do Fundeb e o abono. Só queremos que nosso direito seja de fato respeitado”, escreveu Tatiane De Lucca Pavanello. “O piso salarial é sobre o salário base e não os demais “itens” do salário. Quer fazer a gente de palhaços?”, reforçou Talila Schimith. 

Outros comentários seguiram no mesmo sentido. “O senhor está totalmente mal informado prefeito. Procure se informar corretamente antes de postar o que não sabe. O senhor fez rodeios apenas para falar, de forma bonita, que não vai pagar o piso salarial correto para os proferessores. Toma vergonha!”, registrou Tainara Palosque.  

 

 

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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