Os 108 anos de Catanduva e as sete maravilhas eleitas pelos leitores
Vila Adolpho cresceu a partir da chegada da Estrada de Ferro e o município nasceu em 1918
Por Guilherme Gandini | 14 de abril, 2026

Catanduva amanheceu nesta terça-feira, 14 de abril, com 108 anos completos de história e desenvolvimento. Os moradores que fizeram as primeiras casas de pau-a-pique ou taipa cobertas de sapé, onde hoje está o bairro São Francisco, não imaginavam como o povoado cresceria, tampouco a relevância que o futuro município alcançaria no cenário regional.

Inicialmente Catanduva foi conhecida por Cerradinho, nome dado devido à localização do vilarejo, que se iniciou numa área de cerrado ralo. Depois, o arraial de Cerradinho foi elevado a Distrito de Paz, com o nome de Vila Adolpho, pela lei nº 1.188 de 16/12/1909, numa homenagem ao Coronel Adolfo, influente político de São José do Rio Preto, município ao qual a vila pertencia.

Com a chegada da Estrada de Ferro em 1910 e o progresso da vila, foi criado o Município de Catanduva, pela lei nº 1564 de 14/11/1917, sendo que a instalação do mesmo ocorreu em 14 de abril de 1918, em solenidade realizada no Clube 7 de Setembro. Em 9 de dezembro de 1919, pela lei nº 1675-E, criava-se a Comarca de Catanduva, que seria instalada em 07/02/1920.

O conhecido título “Cidade Feitiço” é relacionado à hospitalidade dos moradores que recebem com muito carinho e atenção todos os visitantes. O slogan foi criado na década de 1940 pelo jornalista Nair de Freitas e é um marco histórico e simbólico para a cidade. O primeiro registro impresso do termo foi feito pelo professor e jornalista Geraldo Corrêa, em artigo publicado no jornal A Cidade, no dia 10 de fevereiro de 1943, intitulado “Gostar de Catanduva”.

FUNDAÇÃO 

Entre as versões sobre a fundação de Catanduva, os historiadores destacam duas. Uma afirma que o povoado teria se iniciado quando a família mineira Figueiredo chegou, em torno de 1890, e deu início à primeira lavoura e construiu a primeira casa no bairro São Francisco. Os Figueiredo teriam recebido as terras como herança da família Moreira, de nacionalidade portuguesa.  

Outra versão diz que a cidade teria sido fundada por Antônio Maximiano Rodrigues, mineiro que teria adquirido terras por volta de 1890, fazendo, posteriormente, a doação de alqueires para a paróquia de São Domingos. Existe ainda uma terceira versão, mais descartada pelos pesquisadores, que aponta Domingo Borges da Costa, o Minguta, como fundador. 

Historicamente, sabe-se que Catanduva surgiu em meados dos anos 1850, em terras que pertenciam ao município de Araraquara e que, posteriormente, originaram Jaboticabal, Monte Alto e São José do Rio Preto, de onde viria a se desmembrar o município de Catanduva.

EXPANSÃO ECONÔMICA

A ampliação da fronteira agrícola de Catanduva se deu após a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, em 1910. A partir daí, as terras agriculturáveis foram ocupadas pelo arroz, feijão, milho, pastagens e café. Aos poucos, os cafezais passaram a ser a cultura dominante na maioria das propriedades rurais, até os anos 1950, quando foram substituídos pelos laranjais e canaviais.

De 1980 a 1990, a laranja viveu seu grande momento no município. Incentivados pela indústria de sucos, que investia na produção, os agricultores tomaram coragem para substituir de vez os cafezais pela laranja. No final da década de 90, o alto custo da produção e a baixa produtividade, além do “amarelinho”, praga que dizimou os pomares, tornaram inviável o cultivo.

Paralelamente, o assédio dos produtores de açúcar e álcool, oferecendo vantagens irrecusáveis em troca do arrendamento de terras para o cultivo da cana-de-açúcar, reduziu ainda mais a área destinada ao cultivo da laranja. Assim, seguiu-se a expansão da cultura canavieira. Hoje a região de Catanduva é uma das principais regiões sucroenergéticas do estado de São Paulo.

MARAVILHAS DE CATANDUVA

No primeiro semestre de 2007, uma fundação suíça organizou um concurso para a escolha das Sete Novas Maravilhas do Mundo. Aproveitando o momento, o jornal O Regional e a rádio Ondas Verdes FM realizou votação semelhante no município, trazendo a relação de preferências de pessoas dos vários segmentos da sociedade. No jornal do dia 22 de julho, 20 pessoas fizeram cerca de 70 indicações, das quais 43 passaram a fazer parte da relação para a escolha popular.

No dia 12 de agosto de 2007, O Regional trouxe o resultado para a escolha das Sete Maravilhas de Catanduva. Ao final, o resultado foi o seguinte: 1º lugar - Igreja Matriz de São Domingos (1.564 votos); 2º lugar - Colégio Nossa Senhora do Calvário (1.474); 3º lugar - Castelinho (1.469); 4º lugar - Teatro Municipal Aniz Pachá (1.017); 5º lugar - Estação Cultura (862); 6º lugar - Hospital Emílio Carlos (779); e 7º lugar - Imes/Fafica (hoje Fatec, com 747 votos).

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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