A rotina de muitas mães brasileiras começa antes do amanhecer e termina horas depois que os filhos dormem. Entre escola, ônibus, trabalho, casa, comida, roupa, estudo e preocupação constante, milhares de mulheres vivem jornada que mistura responsabilidade profissional e maternidade quase sem pausa.
Neste Dia das Mães, profissionais de empresas da região compartilham histórias que ajudam a mostrar um lado pouco visível da vida corporativa: o esforço silencioso de mães que trabalham, criam filhos e tentam manter equilíbrio emocional em meio à correria.
Patrícia Simei, colaboradora da GVC Soluções, do Grupo Rodobens, afirma que grande parte da sua trajetória foi construída conciliando maternidade e trabalho praticamente sozinha. “Faz 24 anos que não durmo uma noite inteira. Ser mãe sempre foi um desafio, mas hoje parece uma luta diária e constante”, conta.
Mãe de três filhos, ela lembra das manhãs em que precisava acordar cedo para deixar as crianças na escola e na creche antes de correr para pegar ônibus e iniciar o expediente. “Depois de tanta coisa, o corpo já sentia como se fosse meio-dia, mas o trabalho ainda nem tinha começado.”
Patrícia afirma que uma das maiores dificuldades enfrentadas por mães solo é justamente encaixar a rotina dos filhos dentro dos horários tradicionais do mercado de trabalho.
Há quase seis anos na GVC, ela afirma que o ambiente profissional teve papel importante em diferentes momentos da criação dos filhos, principalmente pela estabilidade e convivência construída ao longo da trajetória. “O trabalho soma na vida da gente. Ele mostra o quanto você é forte.”
Parte dessa luta hoje aparece também dentro de casa. O filho mais velho, Gabriel, cursa Biologia em uma universidade federal, enquanto Patrícia continua acompanhando a trajetória das duas filhas mais novas. “É isso que faz valer a pena. Ainda tenho duas princesas para lutar e ver bem.”
Na Shift, empresa de tecnologia voltada à medicina diagnóstica, a supervisora de Qualidade, Gisela Nossa também construiu a carreira conciliando maternidade, estudo e desafios profissionais. Hoje em posição de liderança na área de tecnologia, ela passou anos tentando equilibrar diferentes empregos enquanto criava a filha. “Mais do que uma escolha profissional, muitas vezes era uma tentativa de conciliar tudo.”
Ela conta que chegou a trabalhar com vendas, administração, comércio e até abriu uma lan house buscando formas de estar mais próxima da filha enquanto garantia renda.
Depois da separação, precisou reorganizar completamente a vida. Trabalhou, estudou e aceitou oportunidades com salário menor para conseguir entrar definitivamente na área de tecnologia. “Nada foi simples. Mas havia algo que me sustentava: ver minha filha me olhando com orgulho.”
Em 2019, entrou na Shift como QA Júnior em uma área que ainda estava sendo estruturada. Com o tempo, cresceu junto com a equipe até assumir posição de liderança. Na Shift, ela afirma que encontrou um ambiente mais atento ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, algo que considera importante para mulheres que conciliam liderança e maternidade. “Saber que estou em um ambiente que valoriza esse equilíbrio faz toda diferença.”
Hoje, ela diz que uma das maiores recompensas foi perceber que a filha compreendeu os esforços e renúncias feitos ao longo da caminhada. “Muitas escolhas foram pensando no futuro dela.”
Promoção dias antes de dar à luz
Ela só tem 30 anos, mas na bagagem da vida carrega duas promoções que foram marcos para a sua realização pessoal e profissional. Em 2023, Camila Correia Andrade de Oliveira descobriu que seria mãe. A notícia veio carregada de um misto de sentimentos que ela encarou com muita coragem. Na época, enquanto trabalhava como assistente administrativa na Energisa Sul-Sudeste, Camila se candidatou para uma vaga interna de Supervisão Comercial.
“Eu me candidatei, mas confesso que tinha uma certa insegurança: ‘teria alguma chance de ser escolhida para a vaga mesmo todos sabendo que em breve eu me ausentaria para a licença-maternidade?’”.
A resposta a esse anseio veio dias antes da Aurora nascer. “Receber a notícia de que tinha sido promovida à supervisora comercial pouco tempo antes de me ausentar por seis meses foi especial demais. A empresa acreditou em mim e decidiu me esperar, dando todas as condições e apoio para eu viver a maternidade de forma integral e tranquila. Jamais vou esquecer essa experiência”.
Ao falar sobre apoio, Camila agradeço pelos diversos benefícios que a empresa oferece às mamães. “É a energia que me impulsiona a dar o meu melhor em uma empresa que tem as Pessoas como um de seus valores”, enfatiza a supervisora que lidera uma equipe de 40 profissionais, entre homens e mulheres.
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