Padre Jorge Aparecido da Silva, que acusou o ex-bispo de Catanduva, dom Valdir Mamede, de ter cometido violência sexual contra ele, veio a público pela primeira vez para manifestar esperança diante da decisão da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo, que determinou o prosseguimento da ação penal contra Mamede por suposta prática de importunação sexual.
A manifestação do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, reconhece que há indícios suficientes para oferecimento da denúncia, destacando que em crimes de natureza sexual a palavra da vítima pode ter peso relevante, ainda que como prova única. Afirmou que ela precisa persistir ao longo do tempo sem contradições e ter respaldo em outros elementos.
O representante da PGJ ressaltou que, embora não haja comprovação de violência ou grave ameaça, o que descartaria o crime de estupro, há elementos que apontam para a prática de atos libidinosos. A decisão contraria entendimento anterior do Ministério Público, que havia pedido o arquivamento do caso por falta de provas, como O Regional revelou em março.
Em portaria publicada na última quinta-feira, 23, a procuradoria designou o promotor Antonio Bandeira Neto para assumir o caso. O pedido de arquivamento havia partido do promotor Paulo Cesar Neuber Deligi por considerar que não havia provas suficientes de violência, ameaça ou coação, apesar dos relatos da vítima e da confirmação das relações sexuais pelo investigado.
No vídeo veiculado por O Regional, padre Jorge fala sobre carta divulgada por ele à imprensa, sobre pedido encaminhado ao cardeal de São Paulo, dom Odilo Pedro, para que divulgue mensagem aos bispos do país; e sobre carta enviada a ele pelo papa Leão XIV. O sacerdote ainda reforçou o pedido de adiamento das ordenações diaconais previstas para 8 de maio.
RELEMBRE O CASO
O ex-bispo de Catanduva, dom Valdir Mamede, foi acusado de assédio e estupro por padre Jorge, fato que motivou sua renúncia em 2023. O crime teria acontecido em 2022, na residência episcopal, sem testemunhas. Em fevereiro de 2023, teria ocorrido nova tentativa de violência sexual. O denunciante também garante que seminaristas foram vítimas do religioso.
Em depoimento, o investigado confirmou os encontros íntimos, mas afirmou que ocorreram de maneira consensual. Admitiu também já ter tido contatos semelhantes com seminaristas, identificando dois deles e destacando que tais atos, segundo sua versão, também foram consensuais. As pessoas citadas, por sua vez, não confirmaram as condutas agressivas.
REVIRAVOLTA
Com base nos depoimentos, o Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito policial, por falta de provas. Agora, em uma reviravolta, a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo determinou o prosseguimento da ação penal por suposta prática de importunação sexual. O ex-bispo dom Valdir Mamede não foi localizado pela reportagem para comentar a decisão.
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