O período de férias escolares, marcado por mais tempo livre e maior circulação de crianças em ambientes de lazer, exige atenção redobrada de pais, cuidadores e responsáveis. Dentro e fora de casa, brincadeiras e atividades recreativas podem expor crianças e adolescentes a riscos que, na maioria das vezes, são evitáveis com medidas básicas de prevenção e supervisão adequada.
Embora o lazer seja fundamental para o desenvolvimento infantil, a falta de cuidados pode resultar em acidentes graves. Quedas, engasgos, queimaduras, intoxicações, choques elétricos e afogamentos estão entre as ocorrências mais frequentes durante o recesso escolar.
Estudo realizado pela Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, elaborado com dados do DataSUS, indica que, apenas em 2024, mais de 120 mil crianças precisaram de internação hospitalar em decorrência de acidentes evitáveis.
Segundo estimativas da própria organização, cerca de 90% desses casos poderiam ter sido prevenidos com medidas básicas de segurança e o acompanhamento atento dos adultos.
Para orientar famílias e cuidadores neste período, Delson Marinho, coordenador de Projetos da Aldeias Infantis SOS, reforça a importância da prevenção como principal estratégia de proteção. “As férias mudam a rotina das crianças e ampliam o tempo de exposição a diferentes ambientes. Antecipar riscos, adaptar os espaços e acompanhar as brincadeiras são atitudes que fazem toda a diferença para garantir a segurança”, diz.
Segundo o especialista, a atenção deve começar dentro de casa. “Uma avaliação cuidadosa do ambiente, identificando pontos de risco como janelas, escadas, tomadas e objetos cortantes, é fundamental. Medidas simples ajudam a reduzir significativamente a chance de acidentes e protegem a integridade física e emocional das crianças”, destaca Marinho.
DICAS DE SEGURANÇA
Quedas: Crianças não devem brincar próximas a janelas ou sacadas sem proteção, que devem ter grades ou redes de segurança. A atenção deve ser redobrada com pisos escorregadios, lajes e escadas, que oferecem alto risco para quedas. As brincadeiras em parquinhos e brinquedões também devem ser supervisionadas para evitar acidentes;
Tomadas: Para evitar descargas elétricas, as tomadas devem estar tampadas e protegidas para obstruir o contato das crianças.
Gavetas: É indispensável adicionar travas em gavetas com objetos cortantes e que ofereçam risco. Itens de cozinha em geral, além de objetos como clipes metálicos, tampa de caneta e tesoura, por exemplo, também podem causar acidentes;
Intoxicação: É essencial manter remédios, produtos de limpeza, de higiene e de beleza, venenos e plantas tóxicas fora do alcance das crianças;
Atividades ao ar livre: Ao andar de skate, bicicleta ou patins, por exemplo, é necessário usar equipamentos de segurança, como capacete, cotoveleiras e joelheiras, para evitar o risco de lesões graves. Nos parquinhos, sempre verificar a condição dos brinquedos. Se a brincadeira escolhida for empinar pipas, certifique-se de estar longe de fiações.
Brincadeiras aquáticas: Não deixe as crianças sozinhas à beira de piscinas, rios ou lagos, e, ao entrar na água, faça o uso de coletes salva-vidas, uma vez que boias de braço não são aconselhadas. Fique atento ainda com baldes, bacias e piscinas plásticas.
Atividades em grupo: Em hotéis e colônias, procure saber se existe equipe de monitores para cuidar de crianças, com profissionais formados em primeiros socorros. No caso de atividades que necessitem de equipamentos de segurança, exija que sejam utilizados.
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