A USE - União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Catanduva realiza no próximo sábado, dia 11 de abril, a sessão de psicografia ‘Cartas Consoladoras’ como parte da programação da 43ª Feira do Livro Espírita de Catanduva e Região. A atividade será conduzida pelo escritor e médium psicógrafo Nilton Stuqui e pela médium psicógrafa Carol Fontes, no Clube de Tênis Catanduva.
De acordo com o cronograma, a distribuição de senhas será das 9h às 12h, com início da programação às 10h e leitura das cartas prevista para as 16h. Haverá venda de livros no local e serão coleados alimentos não perecíveis, que poderão ser doados de forma voluntária. Além disso, serão feitas apresentações musicais, palestras e conversas esclarecedoras.
Para falar um pouco mais sobre a sessão de psicografia, O Regional entrevistou o médium Nilton Stuqui. Natural de Monte Aprazível, ele iniciou seus estudos na Doutrina Espírita com 14 anos, depois de ter convivido desde criança com uma mediunidade extremamente sensitiva. Em 2005, fundou o Centro Espírita Allan Kardec de Neves Paulista – hoje Casa Espírita Gabriel Martins.
Nilton Stuqui exerce a mediunidade de psicografia desde o ano 2000, tendo recebido, neste período, centenas de mensagens vindas do plano espiritual por espíritos diversos, com o objetivo de consolar e confortar pessoas que buscam e anseiam por respostas que tragam mais esperança. É médium psicógrafo e algumas obras espíritas e colabora na divulgação da doutrina.
O Regional: O principal objetivo das atividades de psicografia é trazer notícias ‘do lado de lá’ para os familiares ‘do lado de cá'. Como uma mensagem psicografada atua no coração de uma família que sofre com o luto profundo?
Nilton Stuqui: Entendo que a carta psicografada representa o início de um entendimento onde o estudo que se segue faz com que se diminua a distância entre quem ficou e aquele que voltou à Pátria Espiritual. Quando a psicografia é legitimada pelos familiares, quando enxergam seu ente amado nas linhas, certamente entendem que não acabou e que o reencontro é possível. As sessões de psicografias são para mim um gesto de imensa caridade e amor de Deus que permite que os homens ajudem uns aos outros nas horas mais difíceis do luto e da dor da ausência mal interpretada. Creio eu que todos os espíritas deveriam entender mais de psicografia e assim ajudariam mais no luto, não basta dizer que a vida continua é necessário que haja indícios disso e é o que a carta familiar trás.
O Regional: Muitas pessoas têm curiosidade e dúvidas sobre como funciona a psicografia. Do ponto de vista espiritual, como acontece essa conexão? Como o ente querido que partiu consegue transmitir seus pensamentos e sentimentos para o papel por seu intermédio?
Essa resposta está bem clara nas obras de Allan Kardec e também muito bem explicada na obras do autor espiritual Gabriel Martins, principalmente no livro “Gabriel, esperança além da vida “, mas na prática a conexão acontece unindo sentimentos do médium e do escrevente ou Espírito desencarnado – prefiro chamar apenas de “pessoa” pois é a mesma pessoa. A conexão acontece unindo sentimentos, uma dose alta de empatia, de compaixão mesmo, onde a mente do médium e seus sentimentos estão entregues ao escrevente, desse modo ele consegue tomar a mão e grafar o que precisa ser dito aos seus familiares. O médium tem certa lucidez enquanto escrevem por ele, mas não pode e nem deve alterar o conteúdo que está sendo escrito.
Os familiares interessados no consolo das cartas psicografadas preenchem uma ficha com o nome do ente desencarnado, idade, tempo de desencarne e causa do desencarne, esta ficha chamada de “acolhimento” é o primeiro contato dos familiares com o trabalho. Após fazer as anotações, os familiares com esta ficha passarão pelo médium que a lê junto e esperam ao final da sessão se terá ou não o recado desejado. Lembrando que a escolha de quem irá escrever é feita pelos Espíritos Superiores e jamais pelo médium, a escolha é feita observando a necessidade e dor de quem pede. As cartas são lidas e entregues àqueles que receberam.
O Regional: A dor do luto não tem religião, e muitas pessoas buscam a sessão de psicografia independentemente de suas crenças. Para o público que não conhece o Espiritismo e pode ter dúvidas, ouvir uma mensagem com vocabulários próprios da família e detalhes tão particulares costuma ser um divisor de águas. Como essas evidências inquestionáveis ajudam a consolar e a transformar a visão de quem chegou ali apenas com a dor e a dúvida?
Os pontos de identificação são comuns nas cartas psicografadas, pois se é a pessoa quem está escrevendo mesmo, há de haver no recado algo que possa ser identificado, uma lembrança, o perfil psicológico da pessoa, seu jeito de ser e se expressar, pouco quando menos falante, mais texto quando mais comunicativo, são esses detalhes que extraem do texto a ideia de generalidade, tem que haver alguma peculiaridade que permita o Espírito que escreve aos seus familiares ser identificado. Numa sessão de psicografia, a maioria do público não é espírita.
O Regional: Nem todas as famílias voltam com uma carta para casa. Por que isso acontece? O que determina se um Espírito poderá ou não se comunicar naquele momento?
O que determina a recepção da mensagem familiar é o grau de necessidade e dor de quem pede, o estado espiritual do Espírito, a disponibilidade do médium, a situação emocional da família. Essa resposta mais bem estruturada está no final do livro “Gabriel, esperança além da vida “.
O Regional: Para a mãe, o pai ou o familiar que for ao Clube de Tênis, compartilhar o nome, aguardar com o coração apertado, porém, se não receber a carta do familiar, qual é a mensagem de conforto e a orientação que você deixa para acalmar esses corações?
Costumo dizer que a carta é apenas um item de consolação do trabalho a ser realizado no sábado, pois temos palestras que auxiliam no entendimento, temos livros que estarão disponíveis contendo informações importantes destes assuntos; mas quando a pessoa chega ao salão e vê outras como ela a procura de ajuda e consolo, a primeira informação que lhe é transferida é que “ela não é a única a passar por essa dor”. Também podem procurar em outras sessões com nossos trabalhos, inclusive a Casa Espírita Gabriel Martins na cidade de Neves Paulista que tem sessão todos os últimos finais de semanas de cada mês.
O Regional: Para finalizar, como as pessoas que desejam participar da sessão de psicografia neste sábado devem se preparar internamente, desde o momento em que saem de casa? Qual convite você deixa para a população de Catanduva e região?
Quem buscar notícias do seu ente querido deve estar calmo, com fé, tentar se informar sobre a vida no mundo espiritual, para saber o que espera, chegar no início dos trabalhos e com paciência e tempo, pois o trabalho é demorado. Meu convite inclui um dia de paz, acolhimento com amor e uma grande oportunidade de aprender sobre a vida que nunca se extingue.
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