Docente da Unifipa alerta para perigos do uso de canetas emagrecedoras
Foto: Divulgação/FPA - Eliana Gabas Stuchi Perez alerta sobre uso inadequado e compra irregular
Dra. Eliana Gabas Stuchi Perez explica que redução exagerada de alimentos pode causar outros efeitos
Por Da Reportagem Local | 11 de março, 2026

Nos últimos anos, medicamentos injetáveis utilizados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade ganharam popularidade entre pessoas que desejam perder peso rapidamente. Conhecidas como “canetas emagrecedoras”, essas medicações vêm sendo cada vez mais procuradas, muitas vezes sem acompanhamento médico, o que preocupa as autoridades.

Entre os fármacos mais conhecidos estão a semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, e a tirzepatida, comercializada como Mounjaro. Desenvolvidos inicialmente para auxiliar no controle do diabetes e da obesidade, esses medicamentos atuam no organismo imitando hormônios intestinais responsáveis por regular o apetite, além de sinalizar a resposta da insulina à ingestão de açúcar.

A endocrinologista, docente do curso de Medicina da Unifipa, Profa. Dra. Eliana Gabas Stuchi Perez, explica que o mecanismo de ação dessas substâncias está diretamente ligado ao controle da fome.

“Esses medicamentos agem em receptores hormonais que aumentam a sensação de saciedade e reduzem o esvaziamento do estômago. Com isso, a pessoa sente menos fome e passa a ingerir quantidade menor de alimentos ao longo do dia, além de melhorarem a secreção e ação da insulina dependente do nível de glicose. Consequentemente são muito eficazes para o controle da síndrome metabólica, pré-diabetes e do diabetes, além de prevenirem suas complicações.”

Por outo lado, podem não ter o mesmo efeito em todos que fazem seu uso. “O problema é que muitas pessoas buscam essas canetas apenas com o objetivo de emagrecerem rapidamente, sem avaliação clínica e sem controle das doses. Isso pode levar a redução exagerada da ingestão de alimentos e desencadear efeitos que vão muito além do emagrecimento”, reforça.

USO INADEQUADO

Entre os sintomas mais comuns observados em pacientes que fazem uso inadequado do medicamento estão fadiga intensa, fraqueza, náuseas persistentes e perda de peso muito acelerada. Em alguns casos, a diminuição do apetite se torna tão intensa que a ingestão calórica diária fica muito abaixo do necessário para o funcionamento saudável do organismo.

Outro ponto que preocupa a comunidade médica são as possíveis complicações físicas decorrentes do emagrecimento acelerado. A perda rápida de peso, por exemplo, pode aumentar o risco de formação de cálculos na vesícula biliar, que podem causar inflamações dolorosas e até evoluir para quadros de pancreatite, condição que, em situações graves, exige hospitalização.

Eliana Perez também chama atenção para possíveis reflexos no envelhecimento da população. “Se muitas pessoas perderem massa muscular precocemente por emagrecimentos rápidos e sem controle poderemos ter no futuro população mais vulnerável à sarcopenia, que é a perda progressiva de força e musculatura, o que levaria à perda óssea mais acelerada levando, consequentemente, à osteoporose e fraturas. Isso aumenta o risco de quedas, limitações físicas e perda de autonomia, principalmente na terceira idade”, ressalta.

COMPRA IRREGULAR

Outro fator que tem ampliado o risco à saúde é a compra dessas canetas em mercados clandestinos ou pela internet. “A utilização de medicamentos contrabandeados ou manipulados sem controle é extremamente perigosa. Não há garantia sobre a composição, a dose ou até mesmo sobre a procedência do produto. Em alguns casos, a concentração do medicamento pode ser muito maior do que a indicada, o que aumenta o risco de complicações e efeitos adversos.”

A especialista frisa que o emagrecimento saudável não acontece de forma milagrosa. “Ele envolve acompanhamento profissional, mudanças de hábitos e uso responsável de medicamentos, quando realmente há indicação, além de controle dos efeitos colaterais, do ajuste de dose e do tratamento das outras comorbidades associadas à obesidade e ao emagrecimento”, conclui.

Autor

Da Reportagem Local
Redação de O Regional

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