Mesmo com avanços da medicina, a pneumonia continua sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. O estudo “Pneumonia adquirida na comunidade: das evidências à prática clínica na otimização do cuidado”, da doutora e especialista em reabilitação pulmonar, Prof.ª Renata Calsaverini Leal, com coautoria de Heitor Calsaverini Leal, aluno do 6º ano do curso de medicina da Fameca/Unifipa, juntamente com outros autores, alerta que a doença, muitas vezes subestimada, ainda representa grande desafio para a saúde pública.
O artigo publicado na revista Medical Research Archives, da European Society of Medicine, é uma compilação dos protocolos conceituais, diagnósticos e terapêuticos com revisão bibliográfica integrativa atual sobre o tema. Nele, os autores apontam para o aumento da chamada pneumonia adquirida na comunidade — aquela contraída fora de hospitais — infecção que atinge os pulmões e pode ser causada por vírus, bactérias e, em casos mais raros, fungos.
Os sintomas mais comuns incluem tosse, febre, falta de ar e dor no peito. “A doença afeta principalmente crianças pequenas e idosos, além de pessoas com problemas de saúde, como diabetes, doenças cardíacas ou pulmonares e imunossuprimidos. Em casos mais graves pode levar à internação e até à morte”, diz Heitor.
Ele aponta mudança importante no perfil da doença. “Nas últimas décadas houve redução nos casos causados por bactérias, graças à ampliação da vacinação. Por outro lado, aumentaram os casos provocados por vírus, o que traz novos desafios para o diagnóstico e o tratamento.”
Outro ponto de atenção é que a pneumonia nem sempre é facilmente identificada, especialmente em idosos, que podem apresentar sintomas diferentes, como confusão mental ou fraqueza, em vez de febre.
TRATAMENTO
A médica Renata Calsaverini Leal e os demais autores explicam que o tratamento envolve o uso de antibióticos, no caso de infecções bacterianas, e deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar complicações. “Por isso destacamos a importância da prevenção, com vacinação, boa higiene e atenção aos sintomas iniciais”, ressalta a professora.
O estudo alerta que ainda há dificuldades na aplicação prática das recomendações clínicas, o que contribui para a manutenção de altas taxas de mortalidade. “Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de ampliar o acesso à saúde, investir em prevenção e melhorar o diagnóstico precoce para reduzir os impactos da doença na população”, concluem os autores.
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