O Hospital de Base de Rio Preto realizou mais uma captação de coração nesta terça-feira, 27. O órgão de um homem de 27 anos, vítima de trauma, foi transportado no jato do Projeto TransplantAR até a Santa Casa de Barretos. Foi a terceira captação de coração realizada neste mês pelo HB, enquanto, no ano passado, foram realizadas 10 captações deste órgão.
“A família deste rapaz de 27 anos é mais uma que, envolvida em momento de extrema dor, compreendeu a importância deste gesto e salvar uma vida. Nós ficamos sempre muito sensibilizados ao presenciar este gesto de puro altruísmo”, afirmou o médico nefrologista João Fernando Picollo de Oliveira, coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital de Base de Rio Preto. Foram doados também o fígado, rins e córneas.
Gesto como desta família tem se repetido cada vez mais nos 24 hospitais da região integrados à rede da OPO do HB. No ano passado, dos familiares consultados no doloroso momento em que a morte é confirmada, 75% aceitaram doar os órgãos do ente falecido. Este percentual figura entre os maiores índices de aceitação do Brasil, tornando a OPO do Hospital de Base referência entre estes serviços no país.
No ano passado, a OPO do HB captou 102 órgãos e tecidos, aumento de 10% em relação a 2024. “Não há como mensurar o que representa a decisão de cada uma destas 102 famílias, pois elas permitiram que centenas de pessoas fossem salvas ou tivessem melhor qualidade de vida”, ressaltou Picollo.
O médico se sustenta num detalhe importantíssimo. Segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), um único doador falecido pode beneficiar até 8 pessoas com órgãos (coração, 2 pulmões, fígado — que pode ser bipartido em 2 receptores, pâncreas e 2 rins). Além disso, a doação de tecidos (córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas, tendões, cartilagens, vasos sanguíneos) pode beneficiar mais de 50 pessoas.
A região Noroeste paulista é a de melhor desempenho, com 46 doadores por milhão de pessoas (pmp), mais do que o dobro da média do Estado de São Paulo (22 pmp) e do país (20 pmp).
CORRIDA CONTRA O TEMPO
O momento em que a família aceitar doar é essencial, mas para os órgãos chegarem até quem precisa envolve uma rede gigantesca com centenas de profissionais de saúde dos hospitais e da sociedade, como órgãos públicos, Polícia Militar, aeroportos e até empresas que disponibilizam suas aeronaves para o transporte dos órgãos.
No caso desta terça, um avião particular do Grupo Frigoestrela, de Estrela D’Oeste, que assumiu a missão de dar continuidade a uma vida, por meio do projeto TransplantAR Aviação Solidária. A aeronave, modelo Beechcraft Baron G58, pousou em Rio Preto às 10h37. O órgão foi captado no Hospital de Base e seguiu para transplante em Barretos.
Lançado em setembro de 2024, o programa TransplantAR é uma iniciativa que busca agilizar e baratear os custos de transporte de órgãos para transplante, utilizando aeronaves particulares. O projeto acontece de forma gratuita, o que também pode beneficiar mais pessoas, ampliando as chances de sucesso no procedimento cirúrgico.
A empresa que doou o voo não tem nenhum benefício fiscal ou financeiro para fazer o transporte, que é totalmente custeado pelo dono da aeronave.
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