O advogado e ex-vereador Nilton Candido foi o autor de projeto de lei apresentado na Câmara de Catanduva, o ano de 2013, que previa o sepultamento de animais domésticos em jazigos dos cemitérios do município. Na terça-feira, o governador Tarcísio de Freitas sancionou lei com a mesma finalidade, reconhecendo o vínculo afetivo entre tutores e seus pets.
“A proposta reconhecia algo que milhões de brasileiros já sentem na prática - os animais de estimação não são coisas, mas membros da família, vínculos de afeto que transcendem a própria linguagem”, lembra Candido, citando que a proposta foi rejeitada pelo então prefeito Vinholi.
“Talvez tenha faltado sensibilidade, talvez tenha faltado compreensão sobre a transformação silenciosa que já ocorria na sociedade. O fato é que a ideia foi descartada, não por sua falta de mérito, mas por sua antecedência ao seu tempo”, pontuou.
Diante da nova legislação estadual, o advogado frisa que “o que antes parecia estranho ou desnecessário passou a ser reconhecido como legítimo, razoável e coerente com a realidade social”. Na época, ele recorda que chegou a ser alvo de brincadeiras e ironias.
“Muitas vezes, ideias corretas não são rejeitadas por estarem erradas, mas por chegarem antes que as instituições estejam prontas para compreendê-las”, alfineta, completando que o reconhecimento tardio não altera o passado, mas ilumina o valor da convicção. “Ideias não pertencem ao tempo em que são rejeitadas, mas ao tempo em que se tornam inevitáveis.”
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