O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) iniciou campanha que denuncia suposto sucateamento da Polícia Civil e contrapõe propaganda oficial do governo estadual. Em outdoors e ofensiva digital, a entidade joga luzes à desvalorização salarial, à sonegação de direitos e ao impacto negativo deste sucateamento na Segurança Pública. Promessas eleitorais do governador, na campanha de 2022, também estão sendo lembradas.
A campanha do Sindpesp acontece, numa primeira fase, em cidades do interior do estado, do Vale do Paraíba e do litoral, incluindo Araçatuba, Bauru, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Santos e Sorocaba.
Redes sociais e demais canais digitais estão sendo igualmente utilizados pelo Sindicato dos Delegados, a fim de contrapor a propaganda governista e potencializar a divulgação do que, de fato, acontece no dia a dia da instituição, que segue trabalhando de maneira precarizada.
“A população que vive distante da capital precisa saber, de fato, como os policiais civis são tratados por este governo, que, na propaganda e no discurso, se coloca como exemplo em segurança para todo o País, mas, na prática, sacrifica seus profissionais. A verdade precisa ser dita”, complementa a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares.
Segundo a representante do Sindicato, o discurso de Tarcísio nas redes sociais gera ‘curtidas’. Contudo, “policiais não vivem de likes”: “A realidade nas Delegacias é dura. E quando o Estado falha com os policiais, quem paga o preço é o povo. É a segurança do dia a dia da sociedade que, na ponta, está em jogo. Nos municípios do interior, a violência, decorrência da falta de investimentos por parte do Governo do Estado, também é preocupante”, alerta a líder sindical.
A ausência de uma política de valorização salarial leva à alta evasão de profissionais, de acordo com Jacqueline. Delegados, por exemplo, recebem o 4º pior salário do País - entre os 27 estados da federação. E, a falta de investimentos na Segurança Pública é geral. Para se ter ideia, São Paulo, estado mais rico do Brasil, ocupa a penúltima posição no ranking de investimento per capita nessa área, conforme aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025.
DÉFICIT POLICIAL
De acordo com o Sindpesp, hoje, há déficit de 14.377 policiais, entre delegados, escrivães, investigadores, agentes, peritos e médicos-legistas - só para citar alguns cargos. Na gestão de Tarcísio, de 2023 até janeiro de 2026, foram 5.760 as admissões. No mesmo período, porém, ocorreram 3.691 baixas, por aposentadorias, exonerações e outros motivos.
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