A Faculdade de Medicina Faceres lançará na terça-feira, 13 de abril, às 9h, a campanha de conscientização “Eu Queria Estar Aqui”, iniciativa que busca sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do feminicídio e suas consequências no Brasil.
De caráter educativo e preventivo, a ação é idealizada pelo Instituto Maria na Comunidade, que firmou parceria com a Faceres para a realização desta primeira edição.
“A Faceres é a primeira instituição de ensino a apoiar e divulgar a campanha “Eu Queria Estar Aqui”, reforçando seu compromisso com a promoção da conscientização e da responsabilidade social. A iniciativa marca o início de um movimento que pretende alcançar outras faculdades, empresas, instituições privadas e diferentes setores da sociedade, promovendo conscientização e mobilização coletiva”, explica a secretária de Desenvolvimento Social, Lana Braga.
A proposta da ação é simples, mas profundamente impactante: adesivos serão colados em cadeiras de salas de aula, simbolizando a ausência de mulheres e meninas que tiveram suas vidas interrompidas pela violência.
“Cada cadeira vazia representa uma história que não pôde continuar, um lembrete silencioso de que ali poderia estar alguém presente, estudando, sonhando e construindo seu futuro”, completa Lana. “Mais do que provocar impacto, essa ação busca gerar reflexão e responsabilidade coletiva. Cada cadeira vazia nos lembra que essas mulheres tinham histórias, sonhos e futuros interrompidos pela violência.”
Dados recentes reforçam a urgência da discussão. O Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio, entre casos consumados e tentados, em 2025, segundo o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil (Lesfem/UEL), o que representa aumento de 34% em relação a 2024. Desse total, foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, resultando em quase seis mulheres mortas por dia no país.
Já os dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 1.568 feminicídios consumados em 2025, o maior número da última década, com média de quatro mulheres assassinadas por dia, ou seja, a cada 6 horas, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. A diferença entre os levantamentos evidencia a subnotificação dos casos, ainda presente no país.
A análise também revela que a maioria dos crimes ocorre no âmbito íntimo, sendo praticados por parceiros ou ex-parceiros, e que grande parte das vítimas são mulheres negras. Em muitos casos, a violência acontece dentro da própria residência, evidenciando a complexidade e a invisibilidade do problema.
“O enfrentamento à violência contra a mulher passa também pela informação e pela conscientização. Trazer esse debate para dentro da instituição é fundamental para formar profissionais mais atentos e uma sociedade mais comprometida com a prevenção”, destaca Dr. Toufic Anbar Neto, diretor da Faceres.
“A primeira mobilização contará com a participação dos alunos do curso de Medicina da Faceres, que atuarão como agentes multiplicadores da mensagem, contribuindo para levar a reflexão para dentro e fora do ambiente acadêmico”, explica a coordenadora de Extensão da Faceres, professora Fernanda Novelli Sanfelice.
Mais do que um ato simbólico, “Eu Queria Estar Aqui” convida a sociedade a não se calar diante da violência e a assumir um compromisso coletivo na construção de um futuro mais seguro e justo para todas as mulheres.
Autor