O Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado amanhã, 28 de janeiro, ocorre em um cenário de alerta no Brasil. Monitoramentos de segurança digital indicam que mais de 13 milhões de contas on-line foram vazadas apenas em 2024, colocando o país entre os mais afetados por incidentes de exposição de dados no mundo. O crescimento desses episódios foi acelerado ao longo do ano, com picos concentrados no segundo semestre.
Os vazamentos envolvem desde cadastros simples até informações sensíveis como CPF, telefone, endereço e dados financeiros. Em casos de maior escala, levantamentos de segurança já identificaram exposições que atingiram centenas de milhões de registros, ampliando o risco de fraudes, golpes digitais e crimes financeiros.
Mesmo com a Lei Geral de Proteção de Dados em vigor desde 2020, a adaptação das empresas ainda é desigual. Estudos de mercado mostram que mais da metade das empresas brasileiras não possui políticas estruturadas de governança e proteção da informação, especialmente entre pequenos e médios negócios. O resultado é um ambiente vulnerável, em que falhas técnicas e processos frágeis facilitam ataques.
Em polos regionais como São José do Rio Preto, onde empresas de saúde, comércio, serviços e tecnologia intensificaram a digitalização, o risco se torna ainda mais sensível. Sistemas integrados e grandes volumes de dados ampliam eficiência, mas também a exposição.
Para o advogado Leon Fagiani, especialista em tecnologia e associado da Apeti, o impacto de um vazamento costuma ser subestimado. “Quando o software é atacado e os dados são expostos, o problema não é apenas técnico. Há perda financeira, desgaste de imagem e risco jurídico imediato”, afirma.
Relatórios do setor indicam que o custo médio de um incidente de vazamento no Brasil pode chegar a milhões de reais por ocorrência, somando paralisações operacionais, ações judiciais, multas e perda de confiança de clientes.
A data reforça um ponto central: proteção de dados deixou de ser tema secundário ou exclusivo da área jurídica. Tornou-se parte da gestão do negócio. Em um ambiente cada vez mais digital, falhas nesse cuidado representam risco real à sustentabilidade das empresas.
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