Seis anos após o primeiro registro de caso de Covid-19, a Fundação Padre Albino promoveu a 2ª edição do evento Batalha Silenciosa, reunindo colaboradores de todas as suas áreas de atuação - Saúde, Educação e Assistência Social para relembrar, agradecer e refletir. A programação foi marcada pelo resgate da vivência dos profissionais durante o período mais crítico da pandemia.
Houve exibição de vídeo homenagem com depoimento; exposição de imagens com a reflexão “O que a pandemia deixou em você que ficou até hoje?”; exposição “Memória da Batalha”, que reuniu equipamentos de proteção utilizados na época e manifesto com seis princípios aprendidos durante a crise sanitária: compromisso acima do medo, cuidar de quem cuida, decidir com responsabilidade, trabalhar em equipe, valorizar cada vida e nunca esquecer.
Durante as ações, realizadas em todas as unidades da Fundação, os colaboradores deixaram mensagens de esperança e gratidão em mural coletivo.
Entre março de 2020 e 2022 o mundo registrou 472 milhões de casos e mais de 6,09 milhões de mortes por Covid-19. No Brasil foram 28,7 milhões de casos e mais de 649 mil óbitos. Na Fundação Padre Albino esse cenário se traduziu em números que carregam histórias: 1.537 vidas que puderam voltar para casa e 614 óbitos, lembrados com respeito e memória.
Mais do que números, o evento trouxe à tona experiências pessoais que revelam a dimensão humana do período. A técnica de enfermagem Fabiana Pereira da Silva relembrou o retorno ao trabalho logo após a licença maternidade, em meio ao avanço da pandemia. “Eu tinha acabado de voltar de licença maternidade, mas com fé em Deus que tudo ia passar. Tinha medo de pegar Covid, ser entubada. Tive infecção de urina porque a gente morria de medo de ir ao banheiro, de tomar água. Foi uma experiência bem difícil.”
O medo também marcou os bastidores da preparação das equipes. Para Fabiana Pacheco, gerente de Hotelaria, o desafio era garantir segurança em um cenário de incertezas. “Víamos as reportagens do que estava acontecendo e foi um momento de muito medo e insegurança. Fizemos muita pesquisa para treinar as equipes e dar assistência com segurança para pacientes e profissionais. Os colaboradores chegavam a chorar durante os treinamentos.”
Já Karulini Polo, gerente administrativa do AME Catanduva, destacou a importância de revisitar essa história. “Estamos trazendo da memória o primeiro caso de Covid há seis anos e hoje estamos aqui para contar nossa vivência.”
As lembranças mais difíceis também vieram à tona. Michael Brito, colaborador do Padre Albino Saúde, recorda o impacto do primeiro óbito que presenciou. “Foi muito triste. As pessoas sendo acomodadas em sacos com zíper, famílias que não conseguiam reconhecer seus entes queridos. É uma lembrança que vou carregar para o resto da minha vida. Isso faz a gente valorizar a vida e as pessoas.”
Na área de assistência social, o impacto também foi profundo, especialmente no cuidado com idosos. Silvia Moreno, gerente administrativa do Recanto Monsenhor Albino, lembra dos desafios com os idosos isolados. “Precisamos nos reinventar, perdemos pessoas e muitas incertezas. Espero que essa data nos convide a refletir sobre a nossa vida, o valor dela, para seguir com mais empatia e esperança em um futuro melhor.”
ÁREA DA EDUCAÇÃO
Na área educacional, o desafio foi manter o ensino em meio às restrições e ao desconhecimento sobre a doença. A diretora do Colégio Catanduva, Fabiana Checconi, destacou o esforço coletivo para garantir a continuidade do aprendizado. “Tivemos que aprender e organizar as atividades de forma diferente. Mas quando temos amor naquilo que fazemos, nós superamos. Criamos plataformas, links, atividades em uma parceria com os pais e a escola. Hoje temos mais de 90% da equipe ainda presente no colégio e isso não é por acaso; é amor.”
Diretor de Educação da Fundação Padre Albino, Bruno Dias destacou a capacidade de reinvenção das equipes. “Tivemos a oportunidade de nos reinventar com novas tecnologias. Foi necessário aprender muito rápido, atuar como time. Hoje fica o respeito e o agradecimento a todos os professores e profissionais da educação e da saúde.”
O EVENTO
Durante a abertura do Batalha Silenciosa, o presidente da Diretoria Executiva da Fundação Padre Albino, Reginaldo Donizeti Lopes, destacou o significado da data. “Naquele momento, ninguém sabia exatamente o que viria pela frente. Havia medo, incerteza e muitas perguntas sem resposta. O que sabíamos era apenas uma coisa: alguém precisava estar aqui. E nós estávamos. Hoje não é apenas um momento de lembrança; é um momento de reconhecimento e aprendizado para todos que chegaram depois. Porque a batalha foi silenciosa. Mas o legado é permanente.”
A diretora de Saúde e Assistência Social, Renata Rocha Bugatti, reforçou o aprendizado coletivo. “Aprendemos que a saúde não é feita apenas de tecnologia ou protocolos, mas principalmente de pessoas. Enfrentamos escassez de insumos, aumento de custos que chegaram a até 1.000% e uma pressão constante. Mas crescemos como profissionais, como equipes e como instituição. A pandemia nos testou, mas revelou o melhor de cada um de nós e isso permanece.”
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