Árbitro catanduvense elogia iniciativa da CBF de profissionalizar a função
Foto: Divulgação - Márcio Santos é analista de arbitragem da Federação Paulista desde 2022
Márcio Santos manifestou otimismo com a melhoria da arbitragem e disse acreditar na atração dos jovens
Por Guilherme Gandini | 29 de janeiro, 2026

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou na terça-feira, 27, o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem nacional da história da entidade. O projeto prevê a contratação, por temporada, de equipes fixas para apitar as partidas profissionais do Brasileirão da Séria A, ao longo do ano. Os árbitros serão remunerados, com salários mensais, taxas variáveis e bônus por performance, e deverão se dedicar prioritariamente à atividade, sem a obrigação de exclusividade. Eles contarão também com apoio técnico, psicológico e preparação física.

Ao todo, são 72 profissionais contratados, sendo 20 árbitros centrais (11 deles do quadro da Fifa, a Federação Internacional de Futebol), 40 assistentes (sendo 20 da Fifa), e outros 12 (também credenciados na Fifa) para atuarem como árbitros de vídeo (VAR). Ao final de cada ano, eles estarão passíveis a rebaixamento, pelo menos dois de cada função, com a consequente promoção de outros que tenham se destacado na temporada.

Até então, apesar de atuarem como profissionais de elite no esporte, os árbitros de futebol brasileiros não tinham vínculo formal com a CBF e recebiam por partida trabalhada, um ofício do tipo freelancer. Oficialmente, o novo programa começará em março, quando as contratações e o novo padrão de funcionamento da arbitragem estarão implantados. O valor investido no programa de profissionalização será R$ 195 milhões para os biênios 2026 e 2027.

Procurado pela reportagem do jornal O Regional, Márcio Santos, diretor de árbitros da LCF – Liga Catanduvense de Futebol, filiada à Federação Paulista de Futebol (FPF), e presidente da Associação Catanduvense de Árbitros de Futebol (Acaf) e Liga Society 7, manifestou otimismo diante do novo programa de profissionalização. Atuando há 30 anos no futebol amador de São Paulo e compondo o quadro de Analistas de Arbitragem da FPF desde 2022, Marcinho – como é conhecido – destacou que a medida deve trazer reflexos positivos para o futebol brasileiro.

O Regional: O que você achou da iniciativa da CBF de profissionalizar a arbitragem?

Márcio Santos: Entendo que a iniciativa da CBF em profissionalizar a arbitragem vai ao encontro do anseio dos árbitros, há mais de 20, 25 anos, que vêm lutando para que isso aconteça. E com certeza irá contribuir muito para a arbitragem do Brasil. A medida só tem realmente a contribuir com o futebol brasileiro, com a arbitragem brasileira. Não irá sanar todos os problemas da arbitragem, mas com certeza vem aí uma melhora significativa dentro do nosso futebol.

O Regional: Essa medida agradou a categoria? Era uma reivindicação?

Como toda mudança, vai gerar algumas reações favoráveis e desfavoráveis, mas em sua maioria entendo que favorável. A questão do critério de quem serão os 20 árbitros, os 40 assistentes e os 12 árbitros VAR que estarão compondo, pode ser que, assim como numa seleção brasileira temos muitos bons jogadores, temos muitos bons árbitros no Brasil. E pode ser que alguns fiquem de fora dessa primeira lista, o que também não significa que estarão fora para o ano que vem, porque lá vai ter um descenso, vai ter uma análise também, então creio que no geral sim, era uma reivindicação da arbitragem há mais de 20 anos e que agora se concretiza e, com certeza, terá ainda que fazer alguns ajustes, mas sempre em prol do futebol e da arbitragem.

O Regional: A profissionalização vai favorecer os atuais árbitros?

Quanto a favorecer os atuais árbitros, os que já estão aí, que já foram selecionados para essa primeira etapa, já estão sendo beneficiados, outros aí que poderão dentro de um contexto dos anos irem também fazendo parte desse grupo e, se Deus quiser dentro de um período a médio e longo prazo, teremos uma boa parcela da arbitragem já profissional e, quem sabe não é uma utopia sonhar que, daqui a alguns anos, até os árbitros que não são federados e trabalham em ligas amadoras, também possam ser profissionais. Acho que tudo ainda é um estudo, são projetos, mas vejo com muitos bons olhos isso.

O Regional: Houve outras ações voltadas à profissionalização, anteriores à iniciativa da CBF?

Em paralelo à questão da CBF, muito bem colocada, também temos que ressaltar que nos últimos dois anos, a Federação Paulista de Futebol já vinha com o Projeto Jovens Árbitros, que teve dois anos seguidos esse projeto, e vai ter esse ano, creio também, onde 14, 15 árbitros foram selecionados, entre árbitros e assistentes, e fizeram parte de um projeto onde eles tinham uma remuneração mensal, tinham todo esse aparato que a CBF está falando agora, que é psicólogo, fisioterapeutas, parte física, até mesmo eles ficaram no NAR, que é o Núcleo de Alto Rendimento em Santo Amaro, então a federação também já vinha trabalhando com isso. Está certo que não era com seus árbitros da Série A, era com jovens talentos, até preparando-os para possivelmente mais para frente, quando tiver uma questão de imprensa, saber se postar, saber se pronunciar, então a federação também já vem preparando seus jovens árbitros para o futuro promissor, de que realmente a arbitragem venha se profissionalizar a nível geral.

O Regional: A profissionalização poderá, então, atrair mais jovens para a arbitragem?

Dentro desse contexto, com essa iniciativa da CBF, eu creio que os nossos jovens vão começar, de repente, a ver a arbitragem com outros olhos e possamos ter mais jovens buscando ser árbitro de futebol, e com isso também os nossos cursos tendo mais qualidade. Então cursos mais qualificados, mais jovens participando e querendo agregar, querendo participar dessa que é uma árdua, mas apaixonante, função de árbitro de futebol. E com o tempo, como sempre falo, não a curto, mas a médio e longo prazos, tudo isso irá resultar em uma qualificação melhor dos nossos árbitros e assim teremos melhores arbitragens. Melhor para o nosso futebol.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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