‘A gente quer fazer um trabalho correto e salvar esse hospital’
Foto: O Regional - João Ravazzi Neto: ‘a nossa intenção é a melhor possível’
João Ravazzi Neto, presidente do Mahatma Gandhi, reconheceu dificuldades e pediu ajuda da população
Por Guilherme Gandini | 14 de dezembro, 2025

Depois de pouco mais de 1 mês como diretor presidente do Hospital Mahatma Gandhi, o cirurgião-dentista João Ravazzi Neto concedeu entrevista exclusiva a O Regional para falar sobre a gestão da entidade. Ele assumiu o principal cargo da estrutura da instituição, que tem mais de 50 anos, após o afastamento dos diretores anteriores e breve período de intervenção judicial.

Ravazzi Neto reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pela nova diretoria e atribuiu a maior parte dos problemas às contas bloqueadas pela Justiça e à falta de provisionamento de verbas para pagamento de rescisões e outros direitos trabalhistas. Nesse ponto, endureceu o tom e afirmou que as investigações em andamento deverão mostrar para onde foi o dinheiro.

Ao mesmo tempo, o presidente evitou fazer promessas milagrosas. Ele reconheceu que havia a intenção de equilibrar as contas até este mês de dezembro, mas que isso não ocorreu. Afirmou que o objetivo é normalizar pagamentos o mais rápido possível e buscar formas, inclusive por via judicial, para manter as atividades. Foi explícito ao dizer que o hospital precisa ser salvo.

O Regional: O que o levou a assumir a direção do Hospital Mahatma Gandhi? Como foi esse período inicial?

João Ravazzi Neto: Vamos dizer assim, entendi como um dever moral para mudar as coisas. A gente imaginava uma situação, mas quando a gente entrou aqui, a situação era bem mais complexa, não só financeiramente, mas quanto à manutenção do hospital, dificuldade até para a gente comprar produtos. Desde quando a gente chegou aqui, todo dia é uma dificuldade.

O Regional: O Mahatma Gandhi passou a administrar unidades de saúde pelo país. Qual o cenário hoje?

O Hospital Mahatma Gandhi é a nossa prioridade. Para administrá-lo, precisamos da receita obtida com os contratos da organização de saúde. O hospital é referência para 102 municípios e isso acabou ficando para trás anteriormente. A gente quer justamente retomar isso, tanto que temos projetos para aumentar a demanda, melhorar o atendimento, a gente tem inúmeros projetos para fazer o hospital andar. Mas, hoje, a gente depende dos contratos para atingir o ponto de equilíbrio. Com o que a gente recebe para a manutenção do hospital, a gente não consegue suprir toda a necessidade. É nesses momentos que a gente utiliza os contratos.

O Regional: Vocês estão cumprindo os contratos. Mas muitos deles estão sendo rompidos. Como será depois?

Antes de mais nada é preciso esclarecer que o Hospital Mahatma Gandhi não virou uma organização de saúde. O hospital continua sendo hospital, porém ele pode se credenciar como Organização Social de Saúde nos municípios e disputar os contratos de gestão. Do valor desses contratos, uma parte se chama rateio, que vem para o hospital como receita. Se eu não tiver nenhum contrato de OSS, o hospital continua da mesma forma. Esses contratos que ainda estão em andamento, óbvio, nós temos um dever legal de dar continuidade e esse valor de rateio integra a nossa receita. Outra parte deles já foi encerrada. Além disso, nós temos 200 leitos SUS e a ala particular, que engloba o particular e convênios. E, como eu disse, nosso planejamento é aumentar essas receitas, otimizando nosso laboratório para atender a cidade e viabilizando a telemedicina. São situações que vão trazer receita própria para o hospital.

O Regional: É nítida a dificuldade financeira da instituição. Como isso será solucionado?

Realmente não dá para negar que nós estamos com uma dificuldade muito grande. Alguns atrasos são do processamento, porque dentro do processo criminal nós temos uma decisão que foi utilizada pela interventora e nós, nova gestão, continuamos seguindo. Nós enviamos as contas para as prefeituras fazerem os pagamentos, porque são muitos bloqueios nas contas do hospital e a Justiça autorizou os pagamentos de forma direta ao colaborador, ao prestador de serviço, ao fornecedor. E a gente tem que ser grato às prefeituras porque se não fosse essa ajuda, a situação estaria pior. Você pode ter certeza de uma coisa, a gente está trabalhando e quebrando a cabeça para não faltar na ponta da linha, que é o funcionário. No entanto, essa enxurrada de ações trabalhistas não é por atos nossos. Para cada contrato, tinha que ter provisionamento. Para onde foi esse dinheiro? É a pergunta que o Ministério Público, que o Judiciário tem que responder.

O Regional: O Hospital Mahatma Gandhi está em risco?

O hospital sobreviver a tudo isso que aconteceu é importante para a comunidade, para toda a região que a gente atende. Precisamos da ajuda da população, mas entendemos que, hoje, ele está descredibilizado. A imagem do hospital ficou muito degradada, devido a essa situação e é isso que a gente quer mudar. Estamos com uma turma nova indo em hotéis solicitar doações de toalhas usadas, porque os nossos pacientes são uma população mais carente e a gente sobrevive dessas doações, porque hoje o hospital não consegue comprar. Estamos abertos a todo tipo de doação, de produtos, alimentos, o que as pessoas puderem nos ajudar, vai ser útil aqui. A gente não quer dinheiro. A gente quer que população entenda o momento do hospital, entenda que a gente está querendo fazer um trabalho correto e sério e salvar esse hospital. Gostaria muito que as pessoas entendessem a nossa dificuldade e, principalmente, a nossa boa intenção.

O Regional: Que mensagem você deixa aos colaboradores, que estão inseguros, com ganhos atrasados, e para a população?

A gente reforça que o trabalho que iniciamos é sério e que o hospital precisa ser salvo. A nossa intenção é a melhor possível. Nós estamos lutando dia a dia, saindo daqui tarde da noite, para que a população e os nossos colaboradores tenham a melhor atenção possível. A gente está tendo dificuldade nessa questão financeira, a gente está tendo realmente essa dificuldade, mas estamos trabalhando para que, o mais rápido possível a gente consiga movimentar nossas contas, para que esse problema de atrasos de pagamentos não ocorra mais. O que eu peço é que as pessoas tenham um pouquinho de entendimento e, do nosso lado, a gente vai lutar incansavelmente para que essa situação se resolva o mais rápido possível.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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