Crianças e adolescentes que compõem a Cia. da Casa Amarela Jovem, versão da premiada Cia. da Casa Amarela, de Catanduva, vão estrear o espetáculo “Toque de Recolher” nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Municipal Aniz Pachá, com entrada franca.
A peça é fruto de uma criação coletiva dos alunos, realizada durante as aulas de teatro, e tem dramaturgia final e encenação dos atores profissionais, dramaturgos, diretores e produtores Drika Vieira e Carlinhos Rodrigues.
O casal de artistas tem mais de 40 anos dedicados ao teatro, sendo 30 com a premiada Cia. da Casa Amarela, referência nacional e internacional no teatro para crianças e jovens. A versão jovem da companhia teatral foi criada por eles em curso que realizam há décadas na cidade.
Com aulas semanais, o curso privilegia a criação individual e coletiva a partir de improvisações e pesquisa, priorizando o senso de grupo e o trabalho com as diferenças e divergências, o que resulta num produto coeso, equilibrado e harmônico.
Segundo Drika Vieira, 55, o objetivo das aulas é muito claro: “não trabalhamos a formação técnica para o teatro e, sim, uma construção ampla, expansiva e integral do ser humano, pois nem todos seguirão na vida artística. Muitos procuram nosso curso para um processo de superação da timidez, que envolvem o autoconhecimento, lidar com sentimentos, socialização e tudo o que envolve o desenvolvimento humano através dos recursos que o teatro oferece.”
Para Carlinhos Rodrigues, 58, o fundamental é que o resultado do projeto seja espontâneo e tenha a ‘cara’ dos alunos. “Há sim toda uma preocupação com interpretação, intenção dos jovens artistas e criação de cada personagem, no entanto, o objetivo maior é que tenha uma clara evidencia do fruto do coletivo, sem artistas/personagens protagonistas e que, no final, ressalte a obra do grupo. Por isso, investimos muito nas rodas de conversa, debates, pesquisas e criações em duplas, trios e grupos, bem como a escolha do tema da peça. Isso fortalece o todo”, conclui.
Formado por crianças, adolescentes e jovens de faixa-etária bem diferentes, o resultado é extremamente positivo para o grupo e para a encenação, segundo os diretores. “Trabalhamos todas essas diferenças de forma lúdica e crítica, com acolhimento e socialização”, explica Drika. As aulas semanais são repletas de jogos dramáticos de integração e sensibilização, de forma a trabalhar sensações, o emocional e atenção/concentração.
Sobre o tema central de “Toque de Recolher”, pousam as incertezas sobre o presente, o futuro e os valores sobre vida e solidariedade em meio a um iminente conflito armado que ronda a escola onde todos os estudantes se encontram.
“Seria menos complicado já no início do ano distribuir um texto pronto para que os alunos decorassem e depois só tivéssemos o compromisso de fazer marcações e encenar a montagem”, comenta Carlinhos.
“Para nós, nesse momento da vida dessas crianças e jovens, é fundamental instigar, provocar, incentivar e fomentar o olhar crítico, o entendimento do mundo que os cerca, o futuro que se lhes apresenta e o mais importante: a consciência de grupo, de que sozinhos nada conseguimos e não chegaremos a lugar algum. Por isso, não elegemos o tema da peça. É um processo coletivo. Eles vão levantando as possibilidades sobre o querem falar no palco. Isso é tão valioso e necessário”, completa o ator.
“Toque de Recolher”, com sessão única no Teatro Municipal nesta quarta, às 20h, tem no elenco (em ordem alfabética): Alice Corsini, Ana Lys Redigolo, Benjamin Toledo, Bianca Corsini, Clara Sizinando, Enzo de Souza, Lara de Angeli, Maria Clara Correa, Maria Júlia Jardim, Maria Laura Dias, Manoela de Souza, Mariana Braz Begalli e Raul Solfa da Conceição.
Autor