As fortes chuvas desta época do ano costumam trazer série de transtornos para a população, como alagamentos, prejuízos e dificuldades de mobilidade. Junto com esse cenário surge também uma preocupação importante de saúde pública: o aumento do risco de leptospirose, doença infecciosa causada por uma bactéria presente principalmente na urina de ratos e que pode ser transmitida ao ser humano por meio do contato com água ou lama contaminadas.
A médica de Saúde da Família e Comunidade do Padre Albino Saúde/PAS, Juliana Zardini Melani Vidal, explica que os sintomas podem surgir alguns dias após o contato com a água contaminada e muitas vezes são confundidos com outras condições infecciosas.
“Os sinais iniciais costumam incluir febre, dor no corpo, principalmente nas panturrilhas, dor de cabeça, mal-estar e, em alguns casos, manchas pelo corpo e icterícia, que é a coloração amarelada da pele e dos olhos. Como esses sintomas podem se parecer com outras infecções, é fundamental que a pessoa informe ao médico se teve contato com água de enchente ou locais possivelmente infectados”, alerta.
O período de incubação pode variar de 1 a 30 dias, mas na maioria dos casos os sintomas aparecem entre o 5º e o 15º dia após a exposição. Quando não diagnosticada e tratada de forma adequada, a leptospirose pode atingir órgãos importantes, como rins e pulmões, levando a complicações graves.
Em relação ao tratamento, a médica explica que o acompanhamento deve ser iniciado assim que houver confirmação ou forte suspeita da doença. “O tratamento é feito principalmente com antibióticos para eliminar a bactéria, mas em alguns casos também é necessário suporte clínico. Se houver comprometimento renal, por exemplo, o paciente pode precisar de diálise. Já em situações com dificuldade respiratória pode ser necessário suporte ventilatório. Quanto mais cedo o tratamento começar, maiores são as chances de recuperação”, destaca.
Para Juliana Zardini, a prevenção continua sendo uma das principais formas de evitar a transmissão da leptospirose, especialmente em períodos chuvosos. “Entre as medidas recomendadas estão evitar o contato com água de enchentes ou lama, utilizar botas e luvas ao realizar a limpeza de locais alagados, manter o lixo bem acondicionado, vedar caixas d’água e adotar medidas de controle de roedores”, ressalta.
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