Nos últimos dias, a neuromodulação voltou ao centro das discussões após aparecer no noticiário envolvendo tratamentos neurológicos. O tema despertou curiosidade, dúvidas e até gerou desinformação nas redes sociais. Mas afinal, o que é essa técnica e o que a ciência diz sobre ela?
Em Catanduva, o procedimento é utilizado pela fonoaudióloga e especialista audiológica Angélica Surraila Gomes, com equipamento específico e a técnica necessária, para o manejo de diferentes condições neurológicas e auditivas, incluindo o zumbido.
Segundo a especialista, o zumbido pode ter diferentes origens e muitas vezes está relacionado à forma como o cérebro processa os estímulos auditivos. “O zumbido não está necessariamente no ouvido. Em muitos casos, ele está relacionado a alterações na atividade das redes neurais responsáveis pelo processamento do som. Por isso, abordagens que atuam diretamente no sistema nervoso podem ajudar a modular essa atividade”, explica Angélica Surraila.
Segundo a especialista, a neuromodulação é uma abordagem terapêutica baseada em evidências científicas que atua diretamente no sistema nervoso. No caso do zumbido, a técnica pode ser utilizada como parte de uma abordagem terapêutica mais ampla.
“O objetivo não é simplesmente ‘eliminar o som’, mas ajudar o cérebro a reorganizar a forma como ele percebe e processa esse estímulo. Em muitos casos, isso reduz o incômodo e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente”, explica.
Além do zumbido, a neuromodulação também vem sendo estudada como recurso complementar no tratamento de diferentes condições neurológicas e emocionais, como depressão resistente, ansiedade, insônia e dor crônica, reabilitação após AVC, transtorno obsessivo compulsivo, doença de Parkinson e esclerose múltipla.
De acordo com Angélica, a técnica já vem sendo estudada há décadas e não se trata de um tratamento experimental. “Existem milhares de estudos científicos publicados internacionalmente sobre neuromodulação. Hoje ela é utilizada em centros de pesquisa e hospitais de referência no mundo, justamente por ter uma base neurofisiológica sólida.”
Na área da fonoaudiologia, também existem aplicações importantes relacionadas à reabilitação da comunicação e da linguagem, como apraxia de fala, disartria, afasia e gagueira. Ela não substitui a terapia fonoaudiológica, mas pode potencializar os resultados.
Outra característica da técnica é o fato de ser não invasiva. As sessões costumam durar entre 10 e 30 minutos e não exigem sedação. “Cada protocolo precisa ser individualizado e baseado na condição clínica de cada paciente. O mais importante é que o tratamento seja conduzido com critério científico e acompanhamento especializado”, destaca.
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