Libido feminina: mudanças, mitos e o que realmente importa na saúde
Foto: Divulgação - Eduardo Marques reforça que a consulta é um espaço seguro para conversar
Médico geriatra Eduardo Marques aborda tema que ainda segue envolto em tabus e desinformação
Por Da Reportagem Local | 01 de março, 2026

Na quinta matéria da série Sexualidade & Envelhecimento, o médico geriatra Eduardo Marques aborda tema que ainda segue envolto em tabus e desinformação: a libido feminina e suas transformações ao longo da vida.

É comum que mulheres, e inclusive muitos homens, acreditem que a queda do desejo sexual faz parte de forma inevitável do envelhecimento. No entanto, pesquisas mostram que isso não é tão simples assim. Estudos brasileiros indicam que cerca de 60% das mulheres relatam redução da atividade sexual após a menopausa, mas o fenômeno é multifatorial e não se restringe ao envelhecimento cronológico.

“A libido feminina é dinâmica. Aqui no consultório, eu vejo mulheres que relatam perda do desejo por diferentes motivos: alterações hormonais, falta de lubrificação, dor durante o sexo ou até questões emocionais como estresse e ansiedade. Mas também vejo muitas que retomam ou redescobrem o desejo quando essas causas são investigadas e tratadas com cuidado”, explica.

Dados internacionais mostram que a falta de desejo sexual é um dos aspectos mais comuns entre as disfunções sexuais em mulheres, com grande variação de acordo com faixa etária, contexto de vida e fatores de saúde.

Para muitas mulheres, a transição pelo climatério e pela menopausa traz mudanças significativas nos níveis de estrogênio, o que pode causar ressecamento vaginal, desconforto ou dor durante o sexo, impactando diretamente a libido. “Isso não significa, necessariamente, que o desejo desaparece para sempre. Significa que o corpo sinalizou que algo mudou e merece atenção.”

No consultório, Eduardo Marques relata que alguns pacientes chegam acreditando que “é normal” não sentir desejo algum porque “não é mais jovem”. “Tenho pacientes que dizem que o desejo simplesmente evaporou, e isso não é normal quando antes elas tinham interesse sexual. Pode ser físico, pode ser emocional, pode ser uma combinação complexa de fatores, mas definitivamente merece ser investigado”, complementa.

A sexualidade feminina não é apenas questão de hormônios, mas de conexão emocional, contexto de relacionamento, imagem corporal, história de vida e bem-estar geral. Muitas vezes, o que acontece na cabeça e no coração influencia tanto quanto o que acontece no corpo.

O médico reforça que a consulta médica é um espaço seguro para conversar sobre essas questões sem vergonha ou julgamento. “Quando a mulher consegue falar sobre sua vida sexual, conseguimos olhar para as causas possíveis e fazer um plano de cuidado real, seja com ajustes hormonais, apoio psicológico, fisioterapia pélvica ou orientação sobre lubrificação e estímulo.”

A série Sexualidade & Envelhecimento continua a mostrar que o desejo é parte legítima da vida humana, em qualquer idade, e que falar sobre ele com naturalidade é um passo fundamental para o cuidado da saúde como um todo. A cada domingo, o jornal publica uma nova matéria da série, aprofundando temas que muitas vezes ficam à margem das conversas médicas e sociais, mas que têm impacto direto na qualidade de vida das pessoas.

Autor

Da Reportagem Local
Redação de O Regional

Por Da Reportagem Local | 01 de março de 2026
Libido feminina: mudanças, mitos e o que realmente importa na saúde
Por Da Reportagem Local | 27 de fevereiro de 2026
Projeção indica alta nos casos de ELA; neurologista explica gravidade
Por Da Reportagem Local | 25 de fevereiro de 2026
No Peru, estudo liderado pela Unifipa analisa 3 mil casos de queimaduras