Janeiro Branco amplia debate sobre saúde mental das crianças
Foto: Divulgação - Gabriela Marcatto: ‘crianças e adolescentes não são adultos em miniatura’
Pediatra Gabriela Marcatto afirma que campanha nacional chama atenção para a importância da prevenção
Por Da Reportagem Local | 17 de janeiro, 2026

Tradicionalmente associada à vida adulta, a saúde mental precisa ser discutida cada vez mais cedo. Durante o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à promoção do bem-estar emocional, especialistas reforçam que crianças e adolescentes também devem estar no centro desse debate. A infância e a adolescência são fases decisivas para o desenvolvimento emocional e comportamental, e ignorar sinais de sofrimento psicológico nesse período pode trazer impactos duradouros para a vida adulta.

A saúde mental na infância está relacionada à forma como a criança reconhece, expressa e lida com emoções, além da maneira como enfrenta frustrações, mudanças e desafios do cotidiano. Ansiedade, tristeza persistente, dificuldades de comportamento e alterações emocionais podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. Estudos mostram que uma parcela significativa dos transtornos mentais tem início antes dos 15 anos, o que torna a identificação precoce e a prevenção estratégias fundamentais.

Segundo a pediatra Gabriela Marcatto, é preciso compreender que crianças e adolescentes não são adultos em miniatura. “Eles vivenciam emoções intensas, mas nem sempre conseguem explicar o que estão sentindo. Por isso, o papel da família é essencial para perceber mudanças de comportamento e oferecer acolhimento”, explica.

Ela salienta que qualquer criança ou adolescente pode apresentar sofrimento emocional em algum momento, e nem toda dificuldade representa um transtorno mental. Ainda assim, sinais persistentes devem ser observados com atenção e avaliados por profissionais capacitados, sempre levando em conta a fase de desenvolvimento e o contexto de vida.

SINAIS DE ALERTA

Entre os principais sinais de alerta estão irritabilidade frequente, choro excessivo, isolamento social, agressividade, dificuldade de concentração, queda no rendimento escolar, alterações no sono e na alimentação, além de atrasos no desenvolvimento da fala ou da motricidade.

Em crianças menores, o sofrimento emocional costuma se manifestar também por meio de sintomas físicos, como dores recorrentes, irritabilidade intensa ou dificuldades para dormir.

COMO PREVENIR

A prevenção começa dentro de casa, por meio do diálogo e do fortalecimento do vínculo familiar. Conversar de forma simples, ouvir sem julgamentos e validar os sentimentos são atitudes que ajudam a criança a desenvolver segurança emocional e autoestima.

“Ensinar que emoções como tristeza, raiva e frustração fazem parte da vida é um passo importante para que a criança aprenda a lidar com o que sente de maneira saudável”, orienta Gabriela. Rotina organizada, sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividades físicas e tempo para brincar também contribuem diretamente para a saúde mental.

Quando o sofrimento emocional passa a interferir na rotina, nos relacionamentos ou no aprendizado, a busca por apoio profissional se torna necessária. O acompanhamento pode envolver psicoterapia, orientação à família e, em casos específicos, uso de medicação, após avaliação individualizada. A maioria dos quadros na infância é transitória e apresenta melhora com ajustes no ambiente familiar e escolar, especialmente quando o cuidado começa cedo.

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Da Reportagem Local
Redação de O Regional

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