FIT Rio Preto reverencia a memória para construção do futuro
Programada para 18 a 27 de julho, edição terá 70 apresentações de 37 espetáculos de dez estados e cinco países
Foto: Edson Prudêncio - 'Os quatro cantos de Elpídio’ será uma das atrações do FIT Rio Preto em 2024
Por Da Reportagem Local | 30 de junho, 2024

Uma edição histórica para marcar 55 anos de uma pulsante trajetória no cenário cultural do Brasil e do exterior. O Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) promove, em 2024, a sua maior programação desde a retomada após a pandemia.

Trinta e sete espetáculos de dez estados brasileiros, contemplando todas as regiões do país, e cinco países, vão fazer a cidade artista mais uma vez entre 18 e 27 de julho, ocupando teatros e espaços públicos com 70 apresentações, boa parte delas de graça.

Além disso, o Graneleiro volta a ocupar as noites no Complexo Swift de Educação e Cultura com mais de 40 atrações. Ainda haverá ações formativas, que este ano se projetam para a prática e a performance, e foram denominadas [per]formativas, envolvendo cerca de 30 atividades.

Realizado pela Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e do Sesc São Paulo, o FIT Rio Preto 2024 terá sua abertura oficial no dia 18 de julho, às 20 horas, no anfiteatro da Represa, com Fênix - Onde nascem os sonhos, da Cia Clarin de Dança, com integrantes de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), espetáculo vencedor do Prêmio APCA 2023 de melhor direção musical que fala da esperança de corpos periféricos em busca da felicidade.

O espetáculo abre programação artística organizada a partir de curadoria feita por Diego Valladares, Monique Cardoso e Naruna Costa, que conceituou esta edição a partir da valorização da memória e da ancestralidade como elementos norteadores para a construção do futuro. A programação completa e informações estão disponíveis no site fitriopreto.com.br.

CURADORIA

Intitulada “Curando a MEM{ÓRÌ}A”, a curadoria do FIT Rio Preto 2024 teve como norteador a celebração dos 80 anos de fundação do Teatro Experimental Negro (TEN), criado por Abdias do Nascimento (1914-2011) - um teatro de resistência, de grupo, de formação e de memória.

“Lembrar é um trabalho social e político que pode ser caracterizado pela lembrança e pelo esquecimento, pela voz e pelo silenciamento, pela liberdade e pela opressão, pelos afetos e pela violência”, destaca o trio de curadores.

TEATRO PARA TODOS

Em 2024, o FIT Rio Preto ocupa novos espaços de São José do Rio Preto buscando ampliar a democratização do acesso à cultura na cidade. São cerca de 20 locais de apresentação e entre as novidades estão bairros como São Deocleciano, Lealdade e Amizade, Eldorado, Imperial, Jardim Estrela e Jardim Paulista, além da Cooperlagos e do Instituto Federal.

Brasil, Colômbia, Itália, Bélgica e França se fazem presentes na programação. Quem volta ao festival depois de marcar sua história com peças emblemáticas como Alice através do espelho (2015) é a carioca Armazém Companhia de Teatro, que traz para o público rio-pretense sua obra inspirada em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908), ícone da literatura brasileira cuja negritude foi alvo de um histórico apagamento social.

Presente nas duas últimas edições com Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus (2022) e Desfazenda - Me enterrem fora desse lugar (2023), o coletivo paulistano O Bonde volta ao FIT com o espetáculo que marca o fechamento de sua trilogia que investiga a narratividade e a necropolítica em diferentes fases da vida de um copo negro: Bom dia, eternidade.

Espetáculos reconhecidos por importantes premiações nacionais também se fazem presentes no FIT Rio Preto, entre eles Azul, produção para todos os públicos da Cia Artesanal de Teatro, do Rio de Janeiro (RJ); Azira’i, solo da atriz, cantora, artista visual e ativista indígena, Zahy Tentehar, maranhense radicada no Rio de Janeiro; e Meu corpo está aqui, da carioca Fábrica de Eventos.

Da cena internacional, todos os espetáculos que estão no FIT Rio Preto 2024 são inéditos no Brasil: Ayni: Trilogía de los días sin tiempo, da Fundación Ojo de Agua, R.OSA - 10 exercícios para novos virtuosismos, da Associazione Culturale Zebra, de Milão (Itália); Reclaim, do Théâtre d’Un Jour (Bélgica) e Les Hèroïdes, da Cie Brutaflor, de Paris (França).

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Da Reportagem Local
Redação de O Regional

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