A dificuldade para perder peso nem sempre está ligada apenas à alimentação ou à falta de exercício. Cada vez mais estudos apontam que a qualidade do sono tem papel decisivo no controle do peso corporal.
Pesquisas na área de endocrinologia e medicina do sono mostram que dormir pouco altera diretamente hormônios responsáveis pela fome e saciedade. A privação de sono aumenta os níveis de grelina, hormônio que estimula o apetite, e reduz a leptina, responsável pela sensação de saciedade.
Além disso, estudos populacionais indicam que pessoas que dormem menos têm maior risco de desenvolver obesidade ao longo do tempo.
De acordo com o pneumologista e médico do sono Dr. Fabio Macchione dos Santos, esse impacto vai além do comportamento alimentar. “Não é apenas uma questão de disciplina ou dieta. Quando o paciente dorme mal, o próprio corpo passa a trabalhar contra o emagrecimento”, explica.
Segundo o especialista, o organismo entra em um estado de desequilíbrio metabólico, favorecendo o aumento do apetite e a preferência por alimentos mais calóricos.
“O paciente sente mais fome, tem mais dificuldade de controlar o que come e ainda apresenta uma tendência maior ao acúmulo de gordura. Isso acontece mesmo quando ele está tentando seguir uma rotina saudável”, afirma.
Outro ponto importante é que a privação de sono também pode reduzir o gasto energético e aumentar o cansaço, impactando diretamente a disposição para atividade física e a regulação da glicose no organismo.
Para o médico, o sono deve ser encarado como parte fundamental de qualquer estratégia de saúde. “Dormir bem não é um detalhe. É um dos pilares do equilíbrio do corpo. Sem isso, o resultado não vem, mesmo com esforço”, reforça.
Diante desse cenário, a orientação é clara: pacientes que enfrentam dificuldade para emagrecer, mesmo com hábitos adequados, devem investigar a qualidade do sono e possíveis distúrbios associados. “O tratamento correto começa com diagnóstico. Muitas vezes, ajustar o sono é o que destrava todo o processo.”
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