Dezembrite: psicólogo fala sobre o peso emocional do fim do ano
Foto: Arquivo Pessoal - Paulo Henrique: ‘permita-se dizer “não” a alguns convites, respeitar o próprio ritmo’
Paulo Henrique de Oliveira garante que sentimentos desta época devem ser encarados com normalidade
Por Da Reportagem Local | 21 de dezembro, 2025

Talvez você já tenha sentido isso sem saber exatamente como chamar. Dezembro chega, as luzes aparecem, as mensagens de “boas festas” se multiplicam… e, em vez de leveza, algo pesa por dentro. Um cansaço que não passa, uma tristeza sem motivo claro, uma inquietação difícil de explicar. Enquanto o mundo parece pedir alegria, você só consegue pensar em tudo o que ficou pendente. Para esse sentimento, alguém inventou um nome curioso: “Dezembrite”.

A palavra não é médica, nem precisa ser. Ela serve, sobretudo, para dar nome a uma experiência bastante comum no fim do ano. E quando conseguimos nomear o que sentimos, algo já começa a se organizar por dentro. Dezembro tem essa particularidade: ele não termina apenas no calendário, ele mexe com a nossa história. É como se o ano pedisse um balanço emocional, mesmo quando a gente não está pronto para fazê-lo.

Quase sem perceber, surgem comparações. Com outras pessoas, com versões antigas de nós mesmos, com expectativas criadas lá em janeiro. O que deu certo? O que não aconteceu? Onde eu achei que estaria agora? Essas perguntas aparecem justamente quando há uma pressão silenciosa para estar feliz, agradecido, celebrando. E então nasce um desconforto difícil de admitir: a sensação de que há algo errado com você por não estar se sentindo bem.

“Mas não há nada de errado. Sentir-se cansado, triste ou confuso em dezembro não é sinal de fracasso. Muitas vezes é apenas o corpo e a mente pedindo pausa depois de um ano intenso. O fim do ano reúne lembranças, encontros, ausências e expectativas em um curto espaço de tempo. É natural que isso pese. Nem todo mundo consegue relaxar só porque o calendário manda”, garante o psicólogo Paulo Henrique de Oliveira, de Catanduva.

Segundo o especialista, alguns sinais que podem ser observados são o sono mais agitado, a paciência mais curta e a vontade de se afastar um pouco. Talvez até o descanso não traga alívio.

Paulo Henrique diz que nada disso é exagero, mas apenas um sinal de que a pessoa carregou muita coisa ao longo do ano — e dezembro costuma ser o momento em que esse peso aparece.

“Cada pessoa vive esse período de um jeito. Para quem enfrentou perdas, mudanças importantes ou frustrações, o fim do ano pode ser ainda mais sensível. As redes sociais, com suas imagens de felicidade constante, muitas vezes ampliam a sensação de estar ficando para trás. Como se houvesse um jeito certo de viver dezembro — e você estivesse fazendo tudo errado”, pontua.

A orientação do profissional é que, em vez de tentar corresponder a um ideal de fim de ano perfeito, que as cobranças sejam reduzidas.

“Permitir-se dizer “não” a alguns convites, respeitar o próprio ritmo, escolher momentos simples e verdadeiros. Nem todo dezembro precisa ser festivo. Alguns precisam ser honestos. E se o sentimento não passar, se a tristeza ou a ansiedade se prolongarem, procurar ajuda é um gesto de cuidado, não de fraqueza. Conversar com alguém preparado para ouvir pode fazer toda a diferença”, recomenda.

No fundo, a tal da “dezembrite” pode ser apenas isso: um lembrete. Um pedido silencioso para olhar com mais gentileza para tudo o que você viveu — inclusive para o que não saiu como planejado. Afinal, nem todo fim precisa de fogos. Alguns precisam apenas de compreensão. E Paulo Henrique completa: “Que você atravesse este dezembro com menos exigência e mais cuidado. Com os outros, claro. Mas, principalmente, com você mesmo.”

Autor

Da Reportagem Local
Redação de O Regional

Por Da Reportagem Local | 25 de fevereiro de 2026
No Peru, estudo liderado pela Unifipa analisa 3 mil casos de queimaduras
Por Da Reportagem Local | 25 de fevereiro de 2026
Luto após perdas inesperadas exige cuidado e apoio, reforça psicóloga
Por Da Reportagem Local | 24 de fevereiro de 2026
Alzheimer pode triplicar até 2050 e diagnóstico precoce é primordial