Silêncio e vergonha: quando a vida sexual masculina envelhecida é deixada de lado
Foto: Divulgação - Médico Eduardo Marques: ‘consulta não é um espaço de julgamento’
Médico Eduardo Marques afirma que homem não deve aceitar dificuldades da idade sem investigá-las
Por Da Reportagem Local | 15 de fevereiro, 2026

A terceira matéria da série Sexualidade & Envelhecimento, do médico geriatra Eduardo Marques, aborda tema ainda carregado de preconceito e silêncio: as dificuldades sexuais em homens ao longo do envelhecimento e a influência de medicamentos e condições de saúde nesse cenário.

No Brasil, estimativas indicam que cerca de 44% dos homens apresentam algum grau de disfunção erétil, problema caracterizado pela dificuldade persistente de alcançar ou manter uma ereção adequada para uma relação sexual satisfatória, com causas que vão desde fatores vasculares até psicológicos e medicamentosos.

“Quando eu pergunto ao paciente ‘como está pra namorar?’, não é apenas uma questão íntima, é uma forma de acessar como ele se sente consigo mesmo, com o corpo, com a autoestima”, conta o médico. “Aqui no consultório, vejo muitos homens angustiados, com medo de falar sobre isso. Eles chegam achando que ‘acabou’ ou que não existe solução, carregando culpa, insegurança e desinformação.”

Dados de estudos populacionais apontam que a prevalência de dificuldades sexuais aumenta com a idade. Em pesquisas brasileiras, praticamente metade dos homens entre 40 e 70 anos relatou algum grau de disfunção erétil, e o risco aumenta devido a fatores como diabetes, hipertensão, tabagismo e depressão.

Mas o tema vai além da ereção. “Eu vejo com frequência relatos de alterações na ejaculação, ora precoce, ora demorada demais e de queda do desejo sexual que não pode ser simplesmente atribuída à idade”, explica o geriatra.

Além disso, alguns medicamentos usados para tratar problemas crônicos, como antidepressivos, ansiolíticos ou remédios para pressão alta, podem interferir na resposta sexual do paciente, contribuindo para o sofrimento e o silêncio. “Isso faz parte da vida real do paciente, mas poucas vezes é discutido de forma aberta”, observa.

Eduardo Marques ressalta que envelhecer traz transformações naturais no corpo, mas não significa abrir mão da vida sexual ou aceitar dificuldades sem investigação. “Quando o homem se cala, ele perde a chance de cuidado e melhora da qualidade de vida. A consulta não é um espaço de julgamento, mas de escuta e compreensão. Ajustar medicação, entender o impacto dos tratamentos e olhar para as causas subjacentes pode fazer toda a diferença.”

SÉRIE DIGITAL

A sexualidade masculina no envelhecimento é um assunto de saúde pública, com impacto direto na autoestima, qualidade de vida e relacionamentos. Na série Sexualidade & Envelhecimento, Eduardo Marques traz um olhar humanizado sobre temas que muitas vezes ficam à margem das conversas médicas e sociais, mostrando que saúde sexual faz parte da integralidade do cuidado com o idoso. Para assistir aos vídeos, acesse @dreduardomarquesgeriatra no Instagram.

A cada domingo, o jornal O Regional publica uma nova matéria relacionada à série, aprofundando diferentes aspectos da sexualidade no processo de envelhecimento, reforçando a importância de informação, acolhimento e cuidado profissional em todas as fases da vida.

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Da Reportagem Local
Redação de O Regional

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