Riscos cardíacos nas férias: o que muda quando a rotina relaxa
Foto: Reprodução - Relaxamento excessivo pode favorecer desequilíbrios do organismo
Cardiologista explica como cuidar da saúde cardiovascular nos períodos de descanso e aponta erros
Por Da Reportagem Local | 03 de janeiro, 2026

Com 400 mil mortes por ano no Brasil, as doenças cardiovasculares continuam entre os principais desafios de saúde pública, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Nesse contexto, o período de férias merece atenção, já que, embora traga momentos de lazer, mudanças de rotina e hábitos mais flexíveis podem aumentar o risco cardíaco, especialmente entre pessoas com hipertensão, colesterol alto, diabetes ou histórico familiar.

O relaxamento excessivo, seja da alimentação ou do uso de medicação, pode favorecer desequilíbrios que muitas vezes passam despercebidos.

A professora de cardiologia Rosangeles Konrad explica que mudanças bruscas de rotina, como horários irregulares, alimentação diferente, noites mal dormidas, calor intenso e até exercícios fora do habitual exigem maior adaptação do sistema cardiovascular.  “O corpo trabalha mais para se adaptar a essa nova dinâmica, e nem sempre esse esforço é percebido”, índica a médica.

Para quem já tem alguma doença cardíaca ou fator de risco, essas adaptações ficam ainda mais difíceis. O excesso de álcool, viagens longas, desidratação e o abandono de medicamentos, por exemplo, podem sobrecarregar o organismo e aumentar as chances de descompensações.

Por isso, a especialista reforça que a combinação entre mudanças de rotina e comportamentos despretensiosos pode, sim, aumentar o risco cardiovascular nas férias. Ela listou 6 erros comuns que impactam diretamente a saúde cardíaca:

  1. Abandonar a rotina de medicamentos

Um dos erros mais comuns é “dar férias” também aos remédios. Segundo a professora, muita gente esquece ou reduz as doses por conta da mudança na rotina. O que pode descompensar quadros de pressão alta e arritmias, elevando o risco de eventos cardíacos. Ela reforça que medicações como anti-hipertensivos, estatinas, anticoagulantes e antidiabéticos não podem ser interrompidos.

  1. Exagerar no álcool e nos alimentos gordurosos

Nas confraternizações, os exageros no prato e no copo podem trazer riscos importantes ao coração: o consumo excessivo de gorduras, sal e álcool eleva a pressão arterial, aumenta a liberação de catecolaminas, acelerando os batimentos, favorecendo arritmias como a fibrilação atrial, e ainda pode causar retenção de líquidos, piorar o refluxo e descompensar quem tem insuficiência cardíaca. Ela ressalta que o problema não é consumir, e sim consumir sem limite.

  1. Ignorar sinais de cansaço durante atividades físicas

Rosangela Konrad explica que, nas férias, muitas pessoas tentam “compensar” o sedentarismo com caminhadas longas, trilhas ou esportes aquáticos, mas esse esforço súbito, ainda mais sob calor intenso, acelera demais o coração, aumenta a pressão e eleva a demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco. Isso pode desencadear falta de ar, arritmias e até dor no peito, especialmente em quem tem doença coronariana, mesmo sem diagnóstico. Por isso, ela reforça que pausas, hidratação e respeito ao próprio ritmo são essenciais para evitar riscos.

  1. Desidratação por clima quente e excesso de sol

O calor do verão, somado ao suor, baixo consumo de água e ao álcool, favorece a perda de líquidos e minerais, reduzindo o volume de sangue em circulação. Esse desequilíbrio aumenta a frequência cardíaca, desestabiliza a pressão arterial e pode causar tontura, mal-estar e palpitações, e, em casos mais graves, até síncope ou piora de doenças cardiovasculares.

  1. Dormir mal 

Dormir pouco ou em horários irregulares é comum nas férias, mas esse hábito desequilibra o organismo, eleva os níveis de estresse e impacta o sistema cardiovascular. O sono inadequado aumenta o cortisol e a adrenalina, desorganiza o controle da pressão arterial e reduz a capacidade do corpo de lidar com esforços, risco ainda maior para quem tem hipertensão ou arritmias.

  1. Estresse e nervosismo em viagens 

Pouco se fala sobre isso, mas situações comuns das férias, aeroportos lotados, atrasos, longas viagens de carro, noites mal dormidas na véspera e toda a organização de família e malas ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de “alerta”. Como consequência, a pressão arterial sobe, a frequência cardíaca aumenta e o corpo fica mais reativo tanto emocional quanto fisicamente.

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Da Reportagem Local
Redação de O Regional

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