Perda auditiva e demência: sintomas caminham juntos
Fotos: Divulgação - Simone Fernandes e Waldecir Sacchetin falam sobre a melhor abordagem
Médicos Simone Fernandes e Waldecir Sacchetin explicam a conexão e os cuidados necessários
Por Da Reportagem Local | 07 de dezembro, 2025

A perda auditiva e o declínio cognitivo, incluindo demência, são temas que cada vez mais aparecem nos consultórios médicos. Embora possam surgir separadamente, pesquisas recentes demonstram que, em muitos pacientes, essas duas condições estão interligadas e exigem abordagens complementares.

A neurologista Simone Fernandes aponta que a perda auditiva não tratada pode funcionar como um acelerador do declínio cognitivo. “Quando o cérebro deixa de receber estímulos sonoros de maneira adequada, ele precisa trabalhar mais para interpretar sons e informações. Essa sobrecarga diminui a energia cognitiva disponível para funções essenciais como memória, atenção e linguagem. O ouvido não é só um órgão de audição, ele alimenta o cérebro de estímulos fundamentais”, explica.

Segundo ela, a falta de correção auditiva, seja com aparelho, acompanhamento regular ou diagnóstico tardio, aumenta o risco de isolamento social, uma das condições mais relacionadas ao avanço das demências.

Complementando essa visão, o otorrinolaringologista Waldecir Sacchetin destaca a importância de avaliar a audição de forma preventiva ao primeiro sinal de alteração. “A perda auditiva muitas vezes é silenciosa e progressiva. Quando o paciente demora a procurar ajuda, o cérebro se adapta à falta de estímulo sonoro e esse fenômeno pode ter impacto direto no desenvolvimento de quadros demenciais.”

Sacchetin ressalta ainda que, ao identificar e tratar corretamente a perda auditiva, é possível reduzir riscos associados à deterioração cognitiva: “Quanto mais cedo diagnosticamos a perda auditiva e restabelecemos a função auditiva — seja com tratamento médico, reabilitação ou uso de aparelhos maior a chance de estabilizar estímulos cerebrais e proteger funções cognitivas.”

O QUE FAZER?

Avaliar a audição com otorrino ao primeiro sinal de dificuldade (aumentar volume, pedir repetição, ruído constante, zumbido). Manter acompanhamento neurológico se houver sinais de falhas de memória, desorientação, confusão verbal ou declínio cognitivo. Evitar isolamento social, considerado fator crucial de risco para demência.

Aparelhos auditivos e reabilitação quando indicados, são essenciais para estimular o cérebro. O cérebro precisa ouvir para continuar funcionando plenamente. Quando a audição falha, o cognitivo sofre. A união entre Neurologia e Otorrinolaringologia não é apenas complementar; ela é determinante na preservação da autonomia, memória e qualidade de vida.

Autor

Da Reportagem Local
Redação de O Regional

Por Da Reportagem Local | 24 de fevereiro de 2026
Alzheimer pode triplicar até 2050 e diagnóstico precoce é primordial
Por Da Reportagem Local | 24 de fevereiro de 2026
Autismo e TDAH: por que os laudos dispararam no país?
Por Da Reportagem Local | 23 de fevereiro de 2026
Picadas de escorpião em crianças preocupam e reforçam alerta no verão