Apesar de a obesidade ser uma das principais crises de saúde pública no Brasil, menos de 1% da população que tem indicação para cirurgia bariátrica consegue, de fato, realizar o procedimento. O dado revela grave gargalo no acesso ao tratamento de uma doença crônica que afeta milhões de brasileiros e está diretamente associada a complicações graves e aumento da mortalidade.
Atualmente, 68% da população brasileira vive com excesso de peso, segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade. Desse total, 31% já apresentam obesidade e 37% sobrepeso.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica e multifatorial, associada a condições como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apneia do sono, doenças cardiovasculares, problemas articulares, esteatose hepática e maior risco de diversos tipos de câncer.
Para o cirurgião do aparelho digestivo João Gabriel Braga, de Catanduva, a cirurgia bariátrica ocupa papel central no enfrentamento da obesidade grave. “A bariátrica não é um atalho e nem uma solução estética. Ela é hoje o tratamento mais eficaz e duradouro para a obesidade grave, com benefícios amplamente comprovados pela ciência”, afirma.
Diversos estudos demonstram que a cirurgia bariátrica promove perda sustentada de 20% a 40% do peso corporal, resultado dificilmente alcançado apenas com tratamento clínico em pacientes com obesidade grave. Além da redução de peso, o procedimento oferece ganhos expressivos à saúde do paciente, como remissão ou controle do diabetes tipo 2, melhora da hipertensão, redução do refluxo gastroesofágico, melhora da apneia do sono e regressão da gordura no fígado.
Outro ponto relevante é o impacto da cirurgia na redução da mortalidade. “Pacientes submetidos à bariátrica vivem mais e melhor. O procedimento reduz significativamente o risco de eventos cardiovasculares e de complicações associadas à obesidade”, explica o especialista.
Dados recentes do Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) mostram que milhões de brasileiros vivem com algum grau de obesidade, incluindo mais de 1 milhão com obesidade mórbida. Somente em 2025, mais de 5 milhões de pessoas já foram mapeadas com obesidade, reforçando a urgência de ampliar estratégias eficazes de tratamento.
Para o médico cirurgião, ampliar o acesso à cirurgia bariátrica deve ser encarado como estratégia de saúde pública. “Tratar a obesidade de forma eficaz significa reduzir internações, uso contínuo de medicamentos e complicações graves no futuro. A bariátrica devolve saúde, funcionalidade e qualidade de vida ao paciente. Negar esse acesso é perpetuar o adoecimento”, ressalta.
O especialista reforça ainda que a cirurgia não atua isoladamente, mas faz parte de um tratamento integrado, com acompanhamento médico, nutricional, psicológico e mudanças no estilo de vida. “Quando bem indicada, a cirurgia bariátrica salva vidas. É preciso romper preconceitos e ampliar o acesso à informação e ao tratamento”, completa.
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