Esporotricose exige ação rápida de tutores para tratar felinos doentes
Preocupação com possível avanço da doença fez profissionais da prefeitura saírem às ruas para capturar e tratar gatos
Foto 1: Prefeitura de Catanduva - Gatos com lesões foram levados para tratamento na Unidade de Vigilância em Zoonoses
Por Guilherme Gandini | 14 de janeiro, 2023

Equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Catanduva saiu a campo, na noite de quarta-feira, 11, para capturar gatos doentes soltos nas ruas. A ação foi centralizada nas imediações da praça Roosevelt, a popular Praça do Barão, depois de caso confirmado de esporotricose, um tipo de zoonose causada por fungo que atinge os animais domésticos, sobretudo a população felina.

De acordo com a Prefeitura de Catanduva, os gatos com lesões capturados foram levados para tratamento na Unidade de Vigilância em Zoonoses. Questionada por O Regional, a Secretaria de Saúde não informou, até o fechamento desta edição, se serão realizadas outras ações na cidade.

A convite de O Regional, o médico veterinário Eduardo Fumagalli falou sobre a doença e reforçou a importância do diagnóstico precoce para elevar as chances de cura e reduzir a possibilidade de transmissão, já que a zoonose pode passar para os seres humanos.

“Esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que se aproveita principalmente de feridas abertas e de corpos estranhos penetrantes, como espinhos, para entrar no organismo. Depois da contaminação, a esporotricose causa lesões que vão progressivamente atingindo a epiderme, a derme, os músculos e até os ossos dos gatos, sendo mais branda em cães e seres humanos”, explica o especialista.

Ele diz que o agente causador está no solo, nas casas de árvores e nas superfícies das plantas, como a roseira, que devido aos espinhos acaba facilitando a contaminação. “Por isso mesmo, sabe-se que os gatos são os principais agentes de disseminação da esporotricose. Afinal, por terem o hábito de enterrar seus dejetos no solo, além de arranhar madeiras e caules de árvores, os gatos têm chances maiores de entrar em contato com o fungo no ambiente.”

A esporotricose em gatos pode ser dividida em três fases distintas, cada uma com sintomas particulares, a começar da forma cutânea, que é caracterizada por um nódulo avermelhado, além de secreções que lembram abcessos e feridas causadas por brigas, sendo mais comum na face, no plano nasal, na base da cauda e nas pernas. As lesões podem ser múltiplas ou solitárias.

A forma linfocutânea ocorre quando os nódulos cutâneos progridem para úlceras com secreção na pele, com comprometimento do sistema linfático e, por fim, há a forma disseminada, que é a mais grave. “Neste estágio, é possível observar lesões ulceradas generalizadas no pet, além de apatia, febre, anorexia e alteração no trato respiratório”, pontua.

DIAGNÓSTICO

Por isso Fumagalli frisa a importância de os tutores estarem atentos às lesões na pele do gato que não só não cicatrizem, como pioram rapidamente. “Quanto mais cedo for diagnosticada a esporotricose, maior será a chance de cura. Evoluindo para a forma disseminada, o tratamento pode não ser tão eficaz, já que o organismo está comprometido e o animal imunossuprimido.”

Para ajudar o veterinário a chegar mais rápido ao diagnóstico correto, é importante que o tutor relate o histórico do bichano, como, por exemplo, se ele se envolveu em briga ou se entrou em contato com terra. Além disso, deve ser feito exame físico e dermatológico, assim como podem ser solicitados exames laboratoriais, como de cultura de fungos, citológico e histopatológico.

Depois de confirmada a doença, o remédio usado no tratamento para esporotricose em bichanos é o Itraconazol, que nunca deve ser administrado sem orientação do veterinário.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Considerando que a esporotricose é mais comum nos bichanos, eles também são os principais disseminadores da doença. Com isso, as principais medidas preventivas, diz Eduardo Fumagalli, têm a ver com os gatos e envolvem estratégias para evitar que eles fiquem soltos na rua.

“Proteja as janelas com tela de proteção a fim de evitar que os felinos saiam para a rua. Lembre-se que a esporotricose é só uma das doenças que os bichanos podem contrair nessas andanças, fora o risco de atropelamento, envenenamento, brigas com outros animais”, pondera o médico.

Ele recomenda que o tutor considere castrar os pets quanto antes. Além de prevenir doenças, a castração ajuda a controlar o instinto dos gatos de fugir de casa. Também é essencial manter o ambiente limpo e evitar a criação de colônias de gatos em espaços pequenos.

“Caso esteja com um animal contaminado em tratamento, use luvas descartáveis para tocar nele, lave bem as mãos e higienize bem o ambiente. Leve o pet regularmente ao veterinário. Isso é muito importante para assegurar a saúde dele”, recomenda.

Outro informação importante apresentada por Fumagalli é que mesmo um gato saudável pode transmitir a doença ao homem. “Isso porque, caso o bichano esteja com esporos do fungo sob as unhas e arranhar alguém, essa pessoa poderá ser contaminada.”

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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