Durante a consulta, uma pergunta simples costuma abrir espaço para conversas profundas e, muitas vezes, inesperadas. “Como está pra namorar?”. É assim que o médico geriatra Eduardo Marques inicia um diálogo que vai muito além da vida afetiva e se transforma em importante ferramenta de cuidado com a saúde.
Segundo o médico, falar sobre a vida sexual do paciente não é invasão, é escuta. “Essa pergunta cria um momento de troca muito verdadeiro. A partir dela, consigo entender como essa pessoa está se relacionando com o próprio corpo, com o outro e consigo mesma”, explica.
O especialista conta que os relatos costumam ser bastante diferentes entre homens e mulheres. “Eu vejo muito no consultório homens que chegam preocupados com dificuldades de ereção ou alterações na ejaculação. Às vezes, é ejaculação precoce. Em outros casos, o oposto, uma demora excessiva que também gera sofrimento”, relata.
Entre as mulheres, a queixa mais frequente está relacionada à libido. “Tenho pacientes que dizem que perderam completamente o desejo sexual e acreditam que isso é normal com o passar dos anos. E não é. Se essa mulher tinha desejo antes e ele desapareceu, algo precisa ser investigado”, afirma o geriatra.
O médico reforça que a perda total do desejo sexual não deve ser encarada como algo natural do envelhecimento. “Isso pode ter causas físicas, hormonais, emocionais ou estar associado a quadros de depressão e ansiedade. Por isso, a consulta é tão importante. É nesse espaço que conseguimos entender o que está acontecendo de verdade.”
Para Eduardo Marques, quando esses assuntos não são abordados, o sofrimento tende a se prolongar. “Muitos pacientes convivem com frustração, culpa ou silêncio por acreditarem que não há solução. E há. Mas é preciso falar, investigar e cuidar”, afirma.
A série Sexualidade & Envelhecimento, criada pelo médico geriatra, propõe justamente esse movimento: trazer à tona temas que fazem parte da vida de muitas pessoas, mas que ainda são pouco discutidos. Ao abordar a sexualidade com naturalidade, empatia e informação, o objetivo é ampliar o olhar sobre saúde, qualidade de vida e envelhecimento consciente.
A cada domingo, um novo tema da série é apresentado neste espaço, no jornal O Regional, reforçando a importância do diálogo aberto entre médico e paciente e mostrando que envelhecer com saúde também envolve cuidar da vida afetiva e sexual.
Autor