O médico geriatra Eduardo Marques, de Catanduva, tem chamado a atenção para os riscos crescentes do uso excessivo de telas, celulares e tablets pelas pessoas idosas. Segundo ele, o problema vai além do entretenimento: quando não há moderação e acompanhamento, essa prática pode causar prejuízos à saúde física, cognitiva e emocional dos mais velhos.
“Muitos pacientes me procuram e dizem que a tela ajuda a passar o tempo, mas o que vejo no consultório é o aumento de reclamações sobre a qualidade do sono, memória confusa, visão mais cansada, isolamento”, afirma o especialista, reforçando que não basta apenas procurar distrações. “É preciso equilíbrio, companhia real e cuidado com o corpo e a mente.”
Um levantamento recente indica que o uso prolongado de telas, fora do contexto produtivo ou de lazer moderado, está associado a problemas de visão, dores no pescoço e ombros, além de sedentarismo e alterações posturais. Já o portal PubMed destaca que pesquisas específicas com adultos de meia idade e idosos mostram associação entre excesso de tempo de tela e dificuldades de equilíbrio e instabilidade corporal fatores que aumentam o risco de quedas.
No campo da saúde mental e cognitiva, há evidências de que a exposição excessiva a telas pode agravar sintomas como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e prejuízos à memória e atenção.
“Com o envelhecimento, o organismo já passa por mudanças naturais de visão, sono, reflexos e capacidade cognitiva. Para esse grupo, o uso exagerado de telas potencializa os efeitos negativos: cansaço ocular, distúrbios do sono, maior isolamento social, declínio de memória e risco aumentado de quedas”, analisa.
O médico reforça que não se trata de demonizar a tecnologia, mas de usá-la com consciência. “Quando o corpo envelhece, é preciso cuidar de tudo, mente, olhos, músculos e relacionamentos reais.”
Para quem convive com idosos, o cuidado vai além de oferecer companhia. Eduardo Marques aconselha estabelecer limites claros para uso de telas, como horários e duração. Estimular atividades fora das telas: leitura, conversas, caminhadas, exercícios leves, convívio social.
Também é importante observar sinais de alerta: cansaço visual, confusão, sono ruim, dificuldades de equilíbrio ou humor alterado. Priorizar sono de qualidade, alimentação equilibrada e movimento físico, fatores essenciais para saúde global.
“Quando a tela vira companhia única, a mente e o corpo exigem um preço alto. O cuidado verdadeiro exige presença humana, movimento e descanso”, reforça o geriatra.
A TECNOLOGIA PODE AJUDAR
Se o excesso de tela traz riscos, a própria tecnologia pode ser aliada no controle. Já existem aplicativos de segurança digital que permitem monitorar tempo total de uso; determinar horários de liberação e bloqueio; definir tempo máximo diário de tela; bloquear o aparelho ao atingir o limite estipulado; acompanhar relatórios de acesso, vídeos e aplicativos mais usados.
“Para muitos cuidadores, esses aplicativos têm sido um respiro. Eles evitam que a tela vire companhia exclusiva e ajudam a manter limites claros sem gerar conflitos constantes”, afirma.
ALERTA COM ESPERANÇA
O geriatra destaca que o objetivo com esse alerta não é assustar, mas conscientizar. Ele acredita que com informação, moderação e atenção familiar é possível usar a tecnologia de forma saudável, preservando a autonomia, a memória e a dignidade dos idosos.
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