A Associação Americana de Cardiologia (AHA) divulgou novas diretrizes de primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar (RCP) e emergências cardiovasculares, trazendo mudanças importantes no atendimento a vítimas de obstrução de via aérea por corpo estranho (Ovace). Publicadas na revista científica Circulation, as orientações substituem as de 2020 e passam a valer como referência internacional para cursos e treinamentos da área.
A atualização altera a forma de agir em casos de obstrução das vias aéreas por sólidos em bebês, crianças e adultos conscientes, com foco nos primeiros dez segundos, apontados como decisivos para a sobrevivência.
Segundo a pediatra emergencista, professora da Faculdade de Medicina Faceres, e instrutora da AHA, Maria Carolina De Conti Coelho, a principal mudança está na recomendação de alternar cinco pancadas firmes nas costas com cinco compressões abdominais para crianças e adultos, e torácicas para bebês menores de 1 ano.
“Até então, o protocolo orientava apenas compressões abdominais para crianças e adultos, a já conhecida manobra de Heimlich. A atualização consolida décadas de estudos e retorna às evidências que mostram que os golpes nas costas ajudam a deslocar o corpo estranho antes mesmo das compressões”, explica.
A AHA reforça que a obstrução das vias aéreas é uma das emergências mais comuns, especialmente entre crianças. Nos Estados Unidos, quase 40% das paradas cardíacas pediátricas fora do ambiente hospitalar têm origem respiratória ou por asfixia.
Para os bebês menores de 1 ano, com Ovace grave, a manobra exige a alternância entre cinco golpes nas costas e cinco compressões no peito, realizadas, agora, com a base da palma da mão. Compressões abdominais não são recomendadas para bebês, devido ao potencial de causar lesões nos órgãos abdominais.
O objetivo é aumentar a eficácia, reduzir riscos e tornar o procedimento mais seguro até a chegada do serviço de emergência, como o Samu (192).
As novas diretrizes da AHA buscam padronizar o atendimento, simplificar o treinamento e aumentar as chances de resposta eficaz nas emergências mais comuns envolvendo engasgo, um dos fatores determinantes para salvar vidas.
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