Aprender a lidar com o que não está sob nosso controle é transformador
Foto: Divulgação - Vivian Ritter: ‘tentar controlar o incontrolável gera desgaste’
Especialista em neurociência, Vivian Ritter, explica como compreender o funcionamento do cérebro ajuda a enfrentar imprevistos
Por Da Reportagem Local | 24 de novembro, 2025

Quem nunca sofreu ao se preocupar com algo que ainda nem aconteceu? No ambiente de trabalho, isso pode se manifestar de diferentes formas: a reunião que muda de horário de última hora, a meta que parece impossível ou até mesmo um conflito com colegas de equipe.

A ansiedade diante do imprevisível é mais comum do que se imagina. Só no Brasil, quase 20 milhões de pessoas convivem com registros de depressão e transtornos de ansiedade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Em 2024, foram quase meio milhão de afastamentos do trabalho, segundo o Ministério da Previdência Social – o maior número em dez anos.

Para o cérebro, situações inesperadas são interpretadas como uma ameaça real, acionando mecanismos de luta, fuga ou paralisia. Essa reação explica porque ambientes previsíveis nos parecem mais confortáveis. Mas, como lembra a especialista em Neurociência, Comportamento e Desempenho, Vivian Ritter, a vida e também o trabalho, são, por natureza, imprevisíveis.

“Entender como o cérebro funciona e aprender estratégias que nos ajudem a lidar com a imprevisibilidade, em vez de lutar contra ela, é fundamental. Afinal, não controlamos os fatos externos, mas podemos controlar como reagimos a eles”, explica a especialista, que é autora do livro “Assuma o (des)controle da sua vida: a arte de viver bem o que não se domina”.

Tentar controlar o incontrolável gera desgaste. Segundo Vivian, insistir nesse comportamento leva ao aumento da liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, que podem prejudicar diretamente a saúde mental e, como consequência, impactar o desempenho profissional.

Ela destaca que um dos caminhos é desenvolver a chamada agilidade emocional - a capacidade de encurtar o tempo que levamos para sair de uma emoção negativa e alcançar um estado emocional mais positivo.

“Todos conhecemos pessoas que ficam meses remoendo um problema que não conseguiram elaborar bem. Isso prejudica as relações e a qualidade de vida. Já quem entende que não precisa controlar tudo é mais flexível, e essa flexibilidade gera leveza tanto para a vida quanto para o trabalho”, complementa Vivian. 

Para a especialista, a neurociência mostra que o primeiro passo é reconhecer que o cérebro reage automaticamente ao inesperado, mas que é possível treinar novas respostas. Ao aceitar que não é necessário controlar tudo, evitamos gastar energia em batalhas que não valem a pena e conseguimos direcionar foco para aquilo que está sob nossa responsabilidade.

“É nesse ponto que a inteligência emocional se torna a chave para uma vida mais equilibrada, menos desgastante e mais produtiva”, completa.

Autor

Da Reportagem Local
Redação de O Regional

Por Da Reportagem Local | 25 de fevereiro de 2026
No Peru, estudo liderado pela Unifipa analisa 3 mil casos de queimaduras
Por Da Reportagem Local | 25 de fevereiro de 2026
Luto após perdas inesperadas exige cuidado e apoio, reforça psicóloga
Por Da Reportagem Local | 24 de fevereiro de 2026
Alzheimer pode triplicar até 2050 e diagnóstico precoce é primordial