Política e Economia

‘Foram Prestadas as Contas e Não Sumi Com Dinheiro Nenhum’, Diz Maria Rita

“Eu gostaria de esclarecer que foram prestadas as contas, e que não sumi com dinheiro nenhum. Da forma como falam, dá a impressão de que sumi com dinheiro, que não prestei contas do que comprei. Eu entreguei as notas e se não tivesse prestado contas, o Tribunal de Contas iria questionar. Passou pela mão do tribunal e foi aprovado” – a fala é da secretária de Esporte, Lazer e Turismo, Maria Rita Araújo, à citação de notas de pagamento em julgamento de pedido de cassação do ex-prefeito Afonso Macchione Neto.
Vereadores falaram, durante o julgamento da última segunda-feira (10) sobre nota de R$ 40 mil, que foi encontrada no ano passado. “Se eu não presto contas, o valor é debitado da minha conta, como funcionária estatutária. Eu tenho brio, tenho uma carreira de 32 anos de prefeitura e em momento algum tive alguma coisa que me desabone e não é essa fala que vai me desabonar”, complementa ela.
O caso em questão é o referente às compras de carnavais de outras gestões de Macchione que foram feitas sem licitação. “Aconteceu o seguinte, quando o promotor pediu e me chamou, eu era testemunha no caso, fazia parte do processo, fui citada e falei que realmente tinha prestado contas. Tinha até um papelzinho que tinha devolvido cento e poucos reais. Como as notas sumiram, até pedi para Deus – não é possível, tenho que encontrar isso. Quando assumi a secretaria de Esportes, subi no almoxarifado e vi caixas de papelão. Perguntei e me falaram que quando mudou a administração, levaram o material para o arquivo e não aceitaram”, disse, complementando que foi o motivo do material ter sido encontrado na secretaria de Esportes.
Um detalhe citado por Maria Rita foi que, além de mandar a nota, ela também pegava a segunda via e guardava em uma pasta. “Abri a pasta, e estavam todas as segundas vias das notas arquivadas do Carnaval de 2010. Sumiram as primeiras vias, mas as segundas não. Mandei todas as notas para o promotor, mostrando as notas, o que tinha sido comprado. Ele viu que eram notas de confete, pluma, tecido, que eram notas de produtos diferentes, separados. Não era o mesmo produto, não era fantasia comprada pronta. Na realidade foi fragmentado e as pessoas colaboraram aqui com mão de obra. Muita gente da Paróquia São José, um monte de gente fez trabalho voluntário, até no presídio de Santa Adélia foi feito o trabalho, que foi muito bonito”, disse.
“Infelizmente as pessoas não olham desse jeito, olham de maneira crítica, só querem saber de criticar, não querem ver o social, não querem ver a parte de humanização, nada disso. Fico muito triste de saber que me mencionaram na câmara, mesmo sabendo que eu prestei contas das notas”, comenta Maria Rita, que reforça que a documentação foi encaminhada para o setor jurídico da prefeitura, que encaminhou para a promotoria ainda no ano passado.
Também em entrevista ao O Regional, Afonso Macchione Neto fala que todos os gastos foram aprovados pelo Tribunal de Contas. “O que nos faltou à época do processo, que aconteceu ao longo da administração do prefeito Vinholi, é que o promotor solicitou os documentos e a prefeitura encaminhou. E encaminhou essa retirada de recursos de R$ 40 mil, mas não foram enviados os respectivos gastos, comprovantes, onde foi gasto esse montante. Quando assumimos, nós buscamos por esse gasto, nós não encontramos a princípio e em um esforço de Maria Rita, revirando todo o nosso arquivo morto e outras dependências, conseguiu levantar esses comprovantes, dessa prestação de contas. Infelizmente esses comprovantes não estavam no local costumeiro, onde os outros documentos se encontravam, mas Maria Rita, em um esforço de vários dias de buscas, encontrou essas segundas vias, que comprovaram onde foram gastos e como foram gastos esses recursos”, complementou. Os gastos, de acordo com o ex-prefeito, seguiram a lei que possibilita a compra de R$ 8 mil por objeto ao longo do ano. “Como o Carnaval é uma vez só no ano, chegamos próximos dos valores permitidos fracionados, porque o artigo da lei 866 é muito claro, que para maior economicidade, visando a economia, pode-se fracionar um processo, em vários itens, para buscar a economia. Fomos na fonte, 25 de março, onde todo o Brasil compra fantasias para o Carnaval. Fomos no intuito de economizar recursos, Maria Rita tirou R$ 40 mil, fomos para São Paulo e fizemos compras. Foi feita a prestação de contas, as notas não conseguimos encontra-las inicialmente, mas depois foram localizadas as segundas vias”, finalizou ele citando que tudo foi feito de boa fé, com conversa com o jurídico da prefeitura e que a vida do ex-prefeito é transparente.

Cíntia Souza
Da Reportagem local