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Opinião

WALT, O GÊNIO

Disney. Walt Disney. Walter Elias Disney. O grande adversário dele e de seus irmãos foi pai, Elias Disney, carpinteiro. Bravo. Irascível. Truculento. Nada é tão temível como a ignorância em ação! A mãe, certa ocasião, notando a inclinação artística de Walt, ainda garoto, sugeriu: «Elias, acho que ele deveria ter lápis e papel para fazer seus desenhos». «Ridículo. O menino não tem tempo para tais tolices! Ele tem é que me ajudar!» Elias não titubeava em fazer uso da violência, seu poderoso argumento. Em razão disso, um filho após o outro, recém saídos da infância, foram abandonando a casa paterna. Ray e Herbert foram os primeiros. Em seguida foi Roy. Tais disposições não tocaram os sentimentos do tirano. E eis que chegou a vez de Walter, o mais novo, ir aliar-se aos irmãos. Walt foi acolhido por Roy. Durante os anos que se seguiram, eles estiveram unidos. Robert Thomas conta em seu livro, «O Mago da Tela», que Mortmer era o nome daquele que seria o mais famoso camundongo do mundo, criado por Walt. «Vê lá se Mortmer é nome de um rato!», bradou Lillian, a esposa. Foi em decorrência disso que o camundongo passou a se chamar Mickey. Era o primeiro, no escalão de vanguarda, dentre inúmeros outros —— Donald, Pateta, Patinhas, Pluto, Sete Anões, Cinderela e tantos mais ——— que iria estrelar seu extraordinário trabalho.
Para escolher vozes, Disney se sentava de costas para um biombo, atrás do qual os candidatos desempenhavam seus papeis. Terminada a sessão naquela tarde, nenhuma voz havia sido aprovada para o Pato Donald. Ao ser vetado, o candidato da vez, o último deles, estrilou, com a voz de pato. Grasnou de verdade, em alto e bom som. «Esse é o homem! Essa é a voz do Pato Donald! ».
No início de sua carreira, Disney havia dado vida nas telas a Oswald, o Coelho, em curtas metragens. O distribuidor ludibriou Walt, através de documentação marota, ardilosa, de modo a que Disney perdera seu personagem. A partir daí, ele decretou a morte de suas limitações.
Disney registrou, de modo nítido, a diferença que tinha para com o pai, tema para psicólogos: entre seus personagens não há a figura do pai. São, preponderantemente, irmãos e tios: Huguinho, Luizinho e Zezinho, Tio Patinhas. Por aí. O único pai que aparece em suas criações é o Lobão, pai do Lobinho, entidade de muito mau caráter. É espécie de irônica homenagem.
Disney foi, dentre outras atividades, desenhista, cineasta, animador, dublador empreendedor e filantropo. Fundou The Walt Disney Company. Em 1.937, seus estúdios lançaram o primeiro longa metragem de animação, Branca de Neve e os Sete Anões. Escolheu pessoalmente a voz de cada um dos sete. Aliás, dos seis, eis que Dunga é mudo. Walt não encontrou voz para ele…
Idealizou a Disneylândia e o Walt Disney World Resort. Walt revelou-se destaque da cultura popular. Venceu a maior quantidade de Óscars da história do cinema: 22 da Academia e 59 indicações. Venceu também sete Emmy Awards. Faleceu muito cedo, aos 65 anos, em fins de 1966. Deixou vasto legado: a universidade California Institute of the Arts – CalArts, numerosos curtas, documentários e longas metragem como Branca de Neve, Cinderela e Alice, para ficarmos em exemplos ilustrativos. A Walt Disney Company é hoje dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo.
Pessoas como Walt Disney não deveriam morrer. Não deveriam! Ah! Razão assiste a quem disse que «a morte é uma grande sacanagem!». Se é. Se a gente nasce sem pedir e morre sem querer, por que não aproveitar o intervalo? Foi o que Disney fez. Aproveitou.
Marcílio Dias
Advogado

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