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Opinião

POBREZA E DESEMPREGO

De acordo com os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a pobreza, bem como a extrema pobreza, continuam ano após ano a ser uma marca na sociedade brasileira, um fato que vem preocupando desde há muitos anos, já que tínhamos 13,5 milhões de pessoas em situação das mais deprimentes com uma tendência a aumentar a cada dia que se sucede.
Além do IBGE, temos a acrescentar que, mediante dados do Banco Mundial,os que se encontram na pobreza chegam a 25% da população do país, um quadro que se assemelha às Nações que enfrentam essa triste realidade, principalmente, em se tratando de uma boa parte dos países africanos.
O aspecto da pobreza e que chega ao extremo chama a atenção o fato de estar dentro desse contexto as pessoas que pertencem à comunidade negra. Dentre elas, as mulheres negras ou pardas compõem o maior contingente: 27,2 milhões, um índice reativamente alto e que dificilmente irá se reduzir, mormente nessa fase pandêmica em que vivem o Brasil e uma boa parte do mundo.
Ainda, de acordo com o IBGE, há de se ressaltar com certa exclusividade que um quarto da população brasileira, ou seja, 52,7 milhões de pessoas vivem em situação menos privilegiada em confronto com os mais privilegiados e um dos fatos que contribui para esse campo é o desemprego que vem se alastrando à medida em que os dias se sucedem, e o governo, por sua vez, não tem se comportado com algumas iniciativas mais eficazes do que o auxílio-emergencial.
Tanto a pobreza como a extrema pobreza têm efeitos terríveis para a dignidade das pessoas e, no caso das crianças e adolescentes, trazem consequências irreparáveis, tanto é que essas crianças criadas em um ambiente de privação e violência não conseguem crescer, estudar e trabalhar, o que dificulta que se tornem adultos e independentes, perpetuando-se pelos anos afora a fase da pobreza.
Desemprego e pobreza, duas situações que caminham lado a lado, inteiramente ligadas a um problema de difícil solução, além de uma realidade que reflete não só no Brasil como nas sociedades ocidentais contemporâneas. Assim é que os desempregados constituem um grupo dos mais frequentes. Com eles, a fome se estende a todos os quadrantes da Pátria.
Nos últimos anos, o desemprego e a fome vêm crescendo e se transformam muito mais que um problema social, tanto é que o número de andarilhos vem tomando conta do Brasil inteiro, porém, há de se ressaltar que milhares deles preferem abraçar este tipo de conduta do que se dedicar a alguma atividade que se enquadre à situação deles no desempenho desse ou daquele trabalho.
Esta dupla constatação, pobreza e desemprego. O primeiro cresceu significativamente e, quanto ao segundo, houve tempos atrás uma pequena redução, oscilando para menos e para mais, já que as experiências do desemprego são diversas e vividas diariamente, citando com um dos exemplos mais abrangentes em todo o país o fechamento de empresas, estando neste contexto as indústrias, até que novos tempos surjam e sejam a expressão do desenvolvimento neste campo.
Uma das consequências mais drásticas é o empobrecimento dos trabalhadores e a deterioração dos indicadores do mercado de trabalho, sendo que o aprofundamento da crise surgiu num quadro em que o rendimento do trabalho já vinha sofrendo uma queda em toda a sua extensão desde 2.015 e foi tomando dimensão com toda a eficácia.
É certo também que, para ilustrar essas observações, o rendimento médio de todos os trabalhadores habitualmente recebido pelas pessoas com rendimento de trabalho foi de 2.336,00 em 2.019, e que, segundo o IBGE, trata-se de um rendimento médio e bruto que se destina às despesas de alimentação, transporte, água e luz, além da habitação.
Eis na prática o quadro em que se encontra o cenário da classe de baixa renda, mergulhada numa das crises profundas em que a história registra em suas páginas, porém, mais privilegiada do que os milhões que vivem com apenas um salário mínimo ou um pouco menos, notadamente nas regiões do norte, nordeste e sudoeste do Brasil.

Alessio Canonice
aalessio.canonice@bol.com.br

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