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O que o Carnaval tem a ver com depressão? - O REGIONAL
Opinião

O que o Carnaval tem a ver com depressão?

O feriado de Carnaval, apesar de ser ansiosamente aguardada pelos foliões, traz alguns gatilhos que podem piorar a saúde emocional de qualquer um, principalmente quem já está passando por dificuldades.

Excessos
Todos esquecem as regras, mesmo quem é controlado nessa época pode abusar mais do álcool e fazer uso de drogas ilícitas, ambos com prejuízos reais à saúde. O Álcool já é conhecido por piorar a Depressão, seja durante seu efeito ou no dia seguinte, a “ressaca moral” após o consumo excessivo pode ocorrer com sérios pensamentos depressivos.
As drogas ilícitas têm potencial de desencadear crises de ansiedade e pânico, mesmo que a pessoa nunca tenho passado por um quadro assim.

Multidão
Os blocos de rua e festas em clubes estão sempre lotados e multidões podem ser bastante claustrofóbicas. A sensação de sufocamento pode desencadear crises graves de pânico, como nem todos os locais possuem atendimento médico ou do corpo de bombeiros a pessoa pode se ver realmente sem saída.
A dica nesse caso é já se antecipar e procurar locais seguros mais vazios combine com seus amigos onde se encontrar caso alguém passe mal e precise tomar um ar.

Sono
Seja pela festa ou pelo barulho causado por elas, nem todo mundo dorme bem nessa época.
A privação de sono por mais de um dia seguido altera todo o relógio biológico do nosso corpo, cansaço, humor irritado ou deprimido podem aparecer nos dias seguintes.
É possível festar de dia, se programe para não emendar dois eventos noturnos em dias consecutivos, quem está descansando aproveita melhor.

Respeito
“Não é Não”, a campanha para respeitar mulheres nos blocos de Carnaval já está por aí, que tal respeitar também quem não está no clima da festa?
A pessoa com Depressão tem dificuldade de se conectar com outras, não consegue se divertir com tanta facilidade, mesmo que faça muito esforço, não adianta insistir e levar quem está sofrendo a força para um evento. A angústia de estar “decepcionando” os amigos e familiares deve só piorar a situação.
Deixe quem quer curtir em casa, em retiro espiritual, ou assistindo televisão e séries, ter seu espaço. Respeito é a melhor manifestação de empatia.

Manoel Vicente de Barros
Médico Psiquiatra

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL

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