Opinião

MANIFESTO DE REPÚDIO E INDIGNAÇÃO

Venho por meio deste, manifestar-me acerca do artigo publicado na edição do 06 de setembro de 2019 do Jornal “O Regional” sob o título “Ao Sumo Sacerdote Jorge Mário Bergoglio (Papa Francisco)”. No citado texto, o articulista destila seu ódio contra a pessoa do Papa Francisco e do clero em geral, embasando-se em inverdades e em análises deturpadas dos fatos, resultado de seu completo desconhecimento do que seja a Igreja Católica Apostólica Romana e suas instituições. Da leitura atenta do texto, depreende-se que, por detrás de afirmações irresponsáveis, o que se procura é autopromoção e semeadura de cizânia. Ao que parece, todavia, o resultado obtido foi pífio e, talvez, nem merecesse as considerações que teço a seguir.
Inicialmente, esclareço ao articulista que prezo pelo confronto de ideias, expressas respeitosamente. Lembro-me do ensinamento recebido de meus ancestrais e do aforisma “as diferenças identificam, mas, nunca podem ser ocasião de exclusões entre pessoas”. Ao que parece, ao invés de buscar a unidade na diversidade, o articulista se apresenta como alguém “dono da verdade”, construída à sua imagem e semelhança.
Em relação ao substrato filosófico que alicerça o texto, espanta-me que alguém que se apresenta com tantos títulos e honorificências, possa ter uma semelhante “confusão de ideia”, mesclando coisas estapafúrdias, em nome de uma “nova ordem mundial”. Fico pasmo em verificar alguém tão “culto” propondo um texto sem nexo, no qual a ausência mesma de parágrafos e vírgulas cooperam para que ele se torne ainda mais incompreensível. Talvez a verve poética o autorize a desconhecer as simples regras gramaticais da língua de Camões; mas, nestes assuntos, prefiro não me meter.
Voltando ao texto, o conceito mesmo de vida em sociedade proposto pelo articulista, foge da clássica afirmação de que, na “pólis”, todos são corresponsáveis pelas adequadas e justas relações entre as pessoas humanas, detentoras de igual dignidade. A cada um compete o papel de cooperar para a construção de um mundo “mais humanizado”. Contudo, em sua visão distorcida, o articulista sonha com um mundo autoritário, no qual a sua visão de mundo é a verdade incontestável, e quem discorda recebe a condenação antecipada de que “está chegando ao fim”, para concluir afinal que “a Igreja agoniza a cada dia”. Porém, para infelicidade do articulista, a promessa do Cristo é outra: “as portas do inferno não prevalecerão!”.
Em nome da defesa da soberania nacional, o autoritarismo do articulista ganha contornos inacreditáveis. Ao seu modo de ver, a Igreja, ou no caso específico, o Papa Francisco, deveria ser impedido de discutir, no foro eclesial, temas de relevância para a evangelização. Parece ressoar aos meus ouvidos aquilo que se dizia nos anos duros aqui no Brasil: “lugar de padre é na sacristia”. E me pergunto, os padres também não são, igualmente, cidadãos? Então, porque é que não podem discutir e, desde a perspectiva da fé que professam, dar a sua contribuição para que a vida em sociedade se torne mais adequada? Ou de outra maneira: em base a que o “ilustre” articulista tem o direito exclusivo e excludente de fazer ouvir a sua voz? Ou ainda, mesmo que não reconhecendo a autoridade moral ao Papa Francisco, e ele a possui, basta ver as suas intervenções a nível mundial, sempre respeitado, porque é que ele deve se abster de se pronuncias? Seguramente, segundo se depreende de quanto afirma o articulista, um Papa mudo seria o ideal. Convenhamos o absurdo desta conclusão, a que sou obrigado a chegar. De fato, no seu “alto trono de sabedoria indeclinável”, é ridícula a sua admoestação aos clérigos em geral para que “não subestimem a paciência dos cristãos politizados”; se forem politizados como ele, o abismo está às portas.
Sobre a atuação social da Igreja Católica, mesmo mentes obtusas, como a do articulista, precisam reconhecer que a Igreja Católica é a maior instituição caritativa do planeta. Nenhuma organização da sociedade civil se assemelha ao bem que ela, Igreja, presta nos vários campos da assistência social. Se fosse possível clarear a mente do articulista (?), citando dados estatísticos seguros, eu lhe diria que, apenas nas américas, as obras sociais mantidas pela Igreja Católica somam 1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos; 2.500 orfanatos; 4.200 jardins de infância. E acrescentaria que, mesmo julgada por não fazer nada, a Igreja se esmera por ajudar o próximo, com serviços de qualidade. Isto está no seu DNA constitutivo. E, se não se faz propaganda, é por fidelidade ao seu Divino Fundador que ordena, em assuntos de caridade, não saiba a mão esquerda o que a mão direita realiza. A título de exemplo, convidaria o articulista a visitar, conhecer e reconhecer em Catanduva a pessoa e obra de Monsenhor Albino. E tantos outros que em sua escola se situam.
Por falar em escola de Mons. Albino, não poderia deixar de me referir à Amazônia, e ao bem que se procura fazer, em nome do Evangelho, aos povos da região. Cito apenas o barco adaptado para atendimentos hospitalares, obra de um Catanduvense, no caso o Frei Nélio Belotti; barco que leva o nome do Papa Francisco. Obra social da Igreja Católica, mas vocacionalmente aberto a quem quer que dos serviços ali prestados tenha necessidade. E vindo aqui mais para perto da nossa cidade, basta visitar as casas de recuperação para dependentes químicos e outros, seja aquelas mantidas pela Caritas Diocesana que por outras entidades diretamente ligadas a paróquias específicas. Penso que seja por ignorância que julgamento incorreto tenha sido realizado pelo articulista. Quanto deboche odioso e gratuito ao Papa Francisco no descabido e infeliz texto ao “comentar o atrevimento” do Romano Pontífice quanto “solicitou aos líderes mundiais que salvem a Amazônia”.
Como instituição composta por pessoas humanas, reconheço que, no conjunto dos fiéis católicos, clérigos incluídos, podem ocorrer discrepâncias entre a fé professada e a sua vivência humana. Talvez o articulista desconheça ou não reconheça, no intuito autoritário de impor seu ponto de vista, aquilo que é vista a partir do seu ponto.
Concluindo, repudio o quanto expresso pelo articulista na sucessão de suas infelizes colocações. Convido-o a que se instrua um pouco mais antes de consignar por escrito outros textos que, certamente, “mancharão” a sua passagem por esta terra. Ainda lhe peço que considere o quanto afirma o apóstolo Paulo ao dizer que “a figura deste mundo passa”.
Desejo ao articulista “paz e bem”, e que a vida lhe seja um aprendizado, a fim de não repetir os mesmos erros sempre.

José Luis Dian
Pastoral da Comunicação

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL