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Opinião

EM OMAHA, LOGO CEDO

No próximo domingo, dia 6 de junho, o “Mais Longo dos Dias” estará aniversariando. Era uma terça-feira. Mil novecentos e quarenta e quatro. Faltavam poucos minutos para a sexta hora. A sentinela numa das casamatas, na praia de Omaha, não acreditava naquilo que via. Estava para acontecer a maior invasão por terra da História. No horizonte, uma faixa escura, composta por embarcações, lado a lado. Imediatamente, ela deu o alarme. Apanhou o fone ali alojado e, com voz esganiçada de quem está muito desesperado, bradou a seu interlocutor, alojado no comando:
—— O inimigo vem vindo! Ele está aí! Vem chegando! Deve ter uns cinco mil navios vindo para cá! Cinco mil! Todos no horizonte!
—— Que é isso, rapaz? Nosso inimigo não tem mais de duzentas embarcações! Cinco mil navios, ora…
O tenso diálogo durou segundos. Em seguida, os aliados começaram o desembarque. Era o significativo acontecimento do grande épico da Segunda Guerra, o Dia D. Com coragem e determinação, estavam sendo plantados os alicerces da vitória dos Aliados na Frente Ocidental. Era o princípio do fim da terrível praga deletéria, o nazismo. Ela estava sendo disseminada por uma das monstruosas figuras, responsáveis por sem-número de crimes contra a humanidade. De quando em vez, o mundo passa por isso: vira palco de ações como a do Bin Laden, do Átila, do Stalin, do Pol Poth, do Joseph Kony.
André Ranschburg, húngaro, brasileiro por opção, então presidente da Staroup, fábrica de jeans, em seu livro “Quem Não Faz Poeira Come Poeira”, apropriou-se do quadro a seguir narrado, dizendo que a coisa teria acontecido com ele, nos domínios de sua empresa. Pode até ser, mas o general a seguir mencionado registrou o acontecido em seu livro de histórias que contava para os amigos: “At Ease. Stories I Tell to Friends”.
Bem no centro do local denominado Green Dog, um robusto ninho de metralhadoras estava oferecendo significativa resistência por parte dos «chucrutes»! Em decorrência —— desesperado! —— um dos aliados pega o telefone de campanha e liga para o alto comando, aos berros:
—— Pelo amor de Deus! Não há um cérebro que funcione aí no comando? Não há? Essas metralhadoras estão nos transformando em cadáveres! Vocês não estão vendo isso? Nem mesmo ouvindo esse incessante matraquear?
E o interlocutor indaga:
—— Você sabe com quem está falando?
—— Não! Não sei! —— bradou o da praia!
—— Aqui quem fala é o General Dwight David Eisenhower, Supremo Comandante das Forças Expedicionárias Aliadas na Europa!
Ah! Foi aí que o da praia, enfático, devolveu a pergunta:
—— E o senhor? Por acaso, o senhor sabe com quem está falando?
—— Não! Não sei!
—— Ainda bem.
E desligou.

Marcílio Dias
Advogado

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