Início - Editorial: Apertos
Opinião

Editorial: Apertos

A ordem, em tempos de crise, é não fazer extravagâncias. Bem, com o salário pago aos trabalhadores, nem se quisessem conseguiriam tal milagre.

A ordem, em tempos de crise, é não fazer extravagâncias. Bem, com o salário pago aos trabalhadores, nem se quisessem conseguiriam tal milagre. Acontece que não apenas  os que vivem de salário mínimo estão com a corda no pescoço. 70% do salário está comprometido com a cesta básica. Dá até para pensar o que fazer com o restante. Paga energia, telefone e água e acabou. Não permite nem fazer planos de sair para curtir algumas horas de lazer. E assim vai levando, mês após mês. Pensar em poupar não dá, a não ser esperar pelo 13º salário, mas que normalmente chega e já está comprometido. E os tratamentos de saúde e odontológicos? Quem tem criança vê a situação ainda mais agravada, pois é preciso ter sempre dinheiro em caixa para atender as suas necessidades. Necessidades, aliás, que viram urgências, quando o pai não consegue um trabalho que lhe possibilite ganhar suficientemente bem para deixar a família tranquila. Se o salário mínimo tivesse acompanhado o valor do primeiro mínimo estabelecido no primeiro governo de Getúlio Vargas, hoje estaria em torno dos R$ 4 mil. Aí mudaria de figura e certamente daria para qualquer cidadão fazer planos; nada exorbitante, mas algo que lhe garantisse uma melhor qualidade de vida. As altas da inflação, cuja existência muitos ignoram, refletem em tudo aquilo que fazemos. Seja compra, venda, empréstimos e até mesmo planos de recuperação gradual das perdas que registramos. Quando o brasileiro admitia a sua existência e cobrava das autoridades uma posição para que houvesse um controle, até que dava para se viver bem, sem tantos atropelos como agora. E associado aos preços galopantes de tudo, vêm os chamados fenômenos naturais, que refletem diretamente nos valores. Tudo tem uma razão para encarecer. Tem, ainda, preço dos combustíveis, os gastos para manutenção do transporte, gastos com pessoal e por aí vai. Um verdadeiro rosário de opções que culminam nas chamadas sobrecargas que refletem diretamente no preço final ao consumidor. Uma saída boa é procurar promoções que possibilitem ter um desaperto no final do mês. Se não for desta forma, cada qual suporta a carga até que tenha condição para isso. Pior é saber que o resultado se reflete na qualidade de vida oferecida às famílias. O que já está ruim ainda pode piorar.