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Opinião

Editorial: A Guerra dos Números

A frase do político norte-americano Hiram Johnson, “A Primeira vítima da guerra é a verdade”, nunca foi tão bem aplicada em Catanduva.

A frase do político norte-americano Hiram Johnson, “A Primeira vítima da guerra é a verdade”, nunca foi tão bem aplicada em Catanduva. No próximo domingo a cidade vai às urnas sob uma dúvida criada artificialmente: quem está com a razão? Qual é a pesquisa séria? O Regional tentou ajudar neste processo contratando o maior Instituto de Pesquisas do País, o IBOPE. Fato inédito na história recente da política catanduvense. Investiu de seus próprios recursos para colaborar com o processo político eleitoral em curso. Publicamos uma primeira pesquisa no dia 26/08. De lá para cá, Catanduva se viu envolvida na verdadeira guerra dos números a que se refere o título do artigo. Há números que dizem água e outros que dizem óleo. Neste cenário confuso, O Regional encomendaria mais duas pesquisas do Ibope, uma já registrada e realizada na semana passada, outra a ser realizada neste fim de semana. Ocorre que o Ibope não conseguiu realizar a pesquisa neste fim de semana. Segundo o prestigiado instituto, não haveria “pernas” para fazer a pesquisa em nossa cidade, devido ao grande número de trabalhos já contratados anteriormente, incluindo o pacote da Rede Globo de Televisão em todo o país. Neste cenário, decidimos não publicar a pesquisa realizada há uma semana. Como bem ensinam os especialistas da área, pesquisa é “fotografia, não filme”. Retrata um momento. Apesar de trazer um quadro inalterado de quem está em primeiro e em segundo lugar, a pesquisa da semana passada pode não ser mais o retrato do que ocorre de fato hoje na cidade. O Regional já cometeu este erro no passado. Em 2004 publicamos uma pesquisa que cravou, dias antes da eleição, o senhor Geraldo Vinholi como prefeito da cidade. O resultado final foi muito diferente da pesquisa e Afonso Macchione venceu o pleito com relativa folga. Como a humildade é a mãe das virtudes, reconhecemos nossos erros para não repeti-los. Aprendemos com eles. Se tivéssemos a garantia de outra pesquisa a ser divulgada na próxima semana, poderíamos manter a divulgação. Porém, não nos interessa divulgar hoje o que ocorreu há uma semana, sem uma nova pesquisa, mais próxima das eleições e da realidade. Outro problema para a celeridade das publicações vem da própria legislação eleitoral, que fixa um prazo de registro de cinco dias de antecedência para a publicação das pesquisas eleitoral. Em momentos dinâmicos como o eleitoral, esta regra induz a erros. É algo que precisa ser revisto. Além de todas estas questões, o que nos causa espécie é que o debate eleitoral em si foi abandonado, suplantado pela guerra dos números. Como se o que estivesse em jogo é quem vai ganhar e não o que vai fazer depois de eleito. Foi-se o tempo em que o eleitor era ingênuo e buscava o líder das pesquisas para votar. Mais informado do que nunca, o eleitor de hoje quer saber quais são os compromissos dos candidatos, não quanto têm em pesquisas duvidosas. Até porque, como ensinou o professor Camilo Onoda Caldas nas páginas de O Regional da última quinta-feira, “uma coisa é a intenção de voto, outra coisa é o voto em si”. O eleitor maduro deve abandonar esta falsa discussão e se concentrar no fundamental: o que o (a) próximo (a) prefeito (a) de Catanduva fará?