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Opinião

Economia E Turismo: O UFC Como Esporte

“O homem, sempre o homem, é o único responsável por todas essas tragédias que acabam destruindo o nosso meio ambiente.”
O Turismo de Esporte é um dos segmentos de turismo que também vêm crescendo muito no atual cenário econômico. Dentre as várias práticas de esporte, como ciclismo, pesca, esportes radicais, outra atividade que pode muito bem se enquadrar na modalidade entretenimento é o UFC. Muitas pessoas estão aprendendo a gostar desse tipo de evento e a acompanhá-lo “viciantemente”; tanto é que, nas academias, as lutas que se enquadram no UFC, como MuayThai, JiuJitsu, Boxe, entre outras, têm feito parte do dia a dia dos frequentadores.
Segundo fontes do jornal O Regional SC de 2013, o UFC movimentou cerca de US$ 15 milhões a US$ 50 milhões (cerca de R$ 100 milhões), o que contribuiu para a movimentação turística nas cidades, com aumento nas hospedagens em hotéis, aumento de fluxo no comércio local e um aumento nas visitas às cidades do Sul. 
Originário da luta “vale tudo”, o UFC é uma mistura de lutas como JiuJitsu, Boxe, Wrestling, Muay Thay, Karatê. Criado nos Estados Unidos em 1993, com regras mínimas, foi promovido como uma competição para determinar a arte marcial mais eficaz em combate desarmado. Uma das particularidades de seus campeonatos é o ringue de oito lados (octógono), fechados por uma grade, onde os lutadores combatem em três assaltos de cinco minutos. Em lutas de disputa do título, são cinco assaltos de cinco minutos.Não demorou muito para os combatentes percebessem que, se quisessem ser competitivos entre os melhores, eles precisavam treinar disciplinas complementares.
Os lutadores desse evento começaram, então, a se transformar em atletas completos, de habilidades equilibradas, que poderiam lutar em pé ou no chão, e essa mistura de lutas tornou-se conhecida como MMA. O UFC é a principal organização de MMA, que, com mais de 20 eventos por ano, é a casa dos lutadores “tops” no mundo.
Nesse cenário, as questões que este artigo levanta são: O que falta para tornar o UFC um esporte e não apenas um entretenimento? Será que seus idealizadores querem mesmo que se torne um esporte, ou isso pode atrapalhá-los financeiramente?
Segundo o idealizador Dana Withe, atual presidente do UFC, sua visão vaialém do evento de entretenimento. A meta étornar as lutas de MMA um esporte legítimo, implantandoprincípios esportivos, regulamentações e categorias de peso. Mas eles enfrentam um dilema:Nem sempre a luta mais correta em termos de ranking é a luta que vai gerar mais lucro.
Acredita-se, portanto, que, enquanto o evento tiver um viés altamente lucrativo, dificilmente o idealizador o transformará num esporte mundialmente divulgado e praticado. Restam, porém, algumas dúvidas:É possível tornar qualquer tipo de combate um esporte?Realmente existe uma demanda para assistir a lutas como a um campeonato de futebol, onde, independente de quem vença, o público vai continuar assistindo à “peleja” para ver quem vai tornar-se o campeão? 
Na história da luta, mesmo em boxe, não existe uma demanda constante. Certos lutadores transcendem o mundo das lutas e se tornam verdadeiras celebridades, gerando um grande interesse em suas apresentações. Floyd Mayweather, MannyPaquião, Muhammed Ali, Mike Tyson, George St-Pierre, Anderson Silva, Tito Ortiz, Chuck Liddell e Jon Jones são, todos, exemplos disso e são os tipos de atletas que mantêm o “esporte” vivo, mas a falta de astros tem um grande impacto financeiro em qualquer organização de luta.
Em suma, num momento em que essas práticas têm sido encaradasapenas como um bom investimento, falar sobre elas como “esporte” não é tão fácil, pois,atrás da atratividade para as cidades e emissoras de televisão, existe uma legião de crianças e jovens que são inconscientemente atraídos pelo “circo” que se arma nos eventos mundiais onde o UFC acontece. O tema merece, pois, muita reflexão e discussão.


Beatriz Aparecida Silva Leite: 
Acadêmica do curso de Ciências Contábeis da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. E-mail: beatriz_apda@yahoo.com.br 

Giovanni Beccari Gemente: 
Graduado em Administração, Mestre em Engenharia de Produção e Doutorando em Engenharia de Produção. Docente do curso de Administração da UFMS – Campus de Três Lagoas/MS. E-mail: g.beccari@yahoo.com.br