Opinião

Desindustrializar não é o fim

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Fico muito preocupado quando ouço que a indústria paulista não se preparou para a 4ª Revolução Industrial e que o sucateamento é inevitável. Parece que a concepção de indústria para São Paulo contemplou a função de atender a outras empresas. Só que as novas fábricas têm plantas elaboradas no exterior e, quando buscam o Brasil, não mais São Paulo, mercado saturado, não necessitam de uma peça fabricada em nosso Estado.
Isso sinalizaria que o encerramento de atividades industriais prosseguiria até esgotamento desse nicho. Não se pensou na revolução em marcha, que extinguiu profissões e mudou inteiramente a vida e o pensar humano nas últimas décadas?
Mas ao ler o livro “O futuro da indústria no Brasil – desindustrialização em debate”, coordenado por Edmar Bacha e Mônica de Bolle, da Civilização Brasileira, recobrei um pouco o ânimo. É óbvio que desde 2010 a produção manufatureira doméstica patina.
Enquanto a indústria mirrava, o setor de serviços cresceu. Há mesmo uma eficiência econômica na desindustrialização. A indústria de transformação, enquanto a tradicional murchava, cresceu 1,9%. A extrativa avançou 4,7% e a agropecuária 3,5%.
O urgente é se reinventar. Precisamos investir mais em produtividade, sem acabar com o meio ambiente. Precisamos fornecer aos nossos jovens possibilidade para criação de soluções a problemas pequenos e triviais, mas que continuam a incomodar. Exemplo: todos produzimos mais lixo do que necessário. Se aproveitássemos, geraríamos uma economia considerável.
Muitas profissões desaparecerão no futuro próximo. Entretanto, é preciso oferecer às novas gerações possibilidade de subsistir dignamente fazendo coisas prazerosas. O turismo é algo que pode ser um fator de desenvolvimento se levado a sério.
Para isso é preciso recompor nossas paisagens e criar guias acolhedores. Muitas outras ideias podem surgir na mocidade criativa e desafiada a repensar este País que tem tudo para dar certo.

José Renato Nalini
Secretário da Educação do Estado de São Paulo.

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