Opinião

Cuidado com o lobo mau

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Sou mulher e gosto muito de sê-lo, embora me ache em profunda desvantagem em relação ao homem. Um relacionamento é sempre muito difícil de ser administrado e isto não quer dizer que não existam casais que são modelos de sucesso e felicidade.
Então, o meu recado de hoje não vai para mulheres bem sucedidas no convívio amoroso, mas para as que sofrem o abuso do homem mal resolvido. E quem é o “homem mal resolvido”? É o que é especialista em causar sofrimentos à mulher, pois é abusivo, tóxico, perverso, louco.
E o primeiro aviso que quero dar às mulheres é sobre os relacionamentos oriundos da internet, que são muito enganadores. Aconteceu dias atrás uma mulher que depois de alguns meses se relacionando pela internet recebeu o rapaz em um apartamento e levou uma surra que quase a matou. Gente, como se vai para um lugar fechado com um estranho? Não sejam ingênuas. Este rapaz havia espancado seu irmão deficiente e dado um soco no próprio pai, que tentou detê-lo. Ela se salvou, mas quantas não morreram nas mãos de homens violentos?
São horripilantes as estatísticas do feminicídio em nosso país. As leis muito fracas e a impunidade incentivam os assassinos de mulheres.
Uma ou duas mulheres sozinhas são sempre vítimas de bulling: seja físico ou verbal. As mulheres têm o costume de se calarem até porque elas têm o modelo clássico de educação de suas mães ou avós que eram submissas aos homens. Mas hoje, em pleno século XXI, temos que nos unir – “uma por todas e todas por uma” e denunciarmos nas Delegacias da Mulher, na imprensa, em clubes de serviço, nas igrejas, nas comunidades, no boca a boca.
Outro dia, ouvi o desabafo de uma mulher jovem: “Mulher é uma burra de carga: trabalha dentro, trabalha fora, corre com os filhos e aguenta um homem cheio de ‘defeitos de fábrica’.”
Apesar de tudo isso, a mulher jamais abandona o doar-se completamente aos filhos, o dinheirinho que completa o orçamento e aquele homem que de certa forma lhe dá a segurança de uma companhia.
E também a gente não pode se esquecer do amor, não é mesmo? Este sentimento pode fazer com que aceitemos um homem do jeito que ele é. E pronto! Temos que admitir as nossas fraquezas e assumí-las é um ato de humildade.
Outro dia, um pregador, do alto de seu púlpito, perguntou aos seus fiéis: – “Quando você sabe que é amado de fato? É quando existe o respeito e a fidelidade.
Achei lindo isso, pois é como deveria ser, mas o mundo nos mostra o contrário. Talvez precisemos tornar o conceito de amor mais adequado às fragilidades morais do ser humano. Gente, é só uma ideia que tive, pensem a respeito.
Não posso terminar terminar sem falar de um fenômeno muito comum chamado “Hovering”, que é uma metáfora tirada de uma marca muito conhecida de aspirador de pó nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha (Hoover), que se refere ao fato de quando uma mulher muito judiada tenta cair fora do relacionamento e é sugada de volta por artimanhas temporárias e falsas de seu opressor.
Olho vivo mulheres, não se deixem oprimir, pois vocês como cidadãs, profissionais e mães merecem ser tratadas com toda dignidade.
“Que a força esteja com vocês”.

Ceminha Siqueira Canhamero
Professora de História Colaboradora do Jornal O Regional Autora do livro “Anas, Cládias e outras Marias” Copartícipe do livro “Pindoraminhas”.

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL