Opinião

Como combater focos de incêndio em zonas rurais?

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Os focos de incêndio em áreas rurais são recorrentes em épocas de seca e podem ser um grande problema tanto para produtores como para o meio ambiente. Até o momento, foram registradas quase 122 mil queimadas no Brasil neste ano, segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Quase metade desses focos foram registrados na Região Norte. Não à toa, a Amazônia foi o bioma mais afetado pelo fogo.

Além de incêndios criminosos, há também o risco de queimadas acidentais. Nesse caso, áreas à margem de rodovias com pastagens secas são mais vulneráveis, principalmente na Região Centro-Oeste do País em períodos de estiagem prolongada durante o inverno (de março a setembro). Para evitar incêndios acidentais, é recomendado não deixar objetos metálicos ou cacos de vidros na vegetação, pois eles podem refletir a luz do sol, provocando um efeito de lupa no pasto e iniciando combustão.

Quando é detectado um foco de incêndio, é crucial agir rapidamente para controlar e extinguir as chamas. Para isso, é necessário entender que o fogo depende de três elementos básicos para sua geração: oxigênio, combustão e ignição. O combate requer a eliminação da chama mediante manipulação do aumento ou da diminuição do oxigênio. Isso pode ser feito com equipamentos como atomizadores e sopradores. Um atomizador pode ser usado para lançar areia ou calcário no foco das chamas, impedindo que o fogo se alimente de oxigênio. Já os sopradores são utilizados para lançar um jato de ar na base do incêndio, eliminando o foco. Neste caso, é de extrema importância ressaltar que devem ser utilizados somente sopradores de elevada capacidade e com velocidade de deslocamento de ar acima de 90m/s para que não ocorra efeito contrário de alimentação da chama com oxigênio. Outra alternativa é a realização de aceiros para impedir a propagação do fogo.

Quando o incêndio for controlado e apagado, a preocupação maior é com a recuperação da área afetada. Se o foco ocorreu em área de vegetação nativa, como o cerrado, por exemplo, o ideal é deixar a própria natureza fazer a recuperação do local e apenas monitorar a região para evitar novas queimadas. Entretanto, se o incêndio ocorreu em uma plantação, será preciso uma análise do solo para entender melhor quais são as necessidades nutricionais da cultura afetada.

Mario Fortunato
gerente de Produtos da Husqvarna para América Latina

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL